Duas barracas montadas na grama, ao lado de um dos centros de ensino da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no bairro Trindade, em Florianópolis. Dentro e ao redor delas, duas crianças pequenas, de três a cinco anos, vivendo o que uma denúncia em vídeo classificou como condição precária, há meses, sem banheiro e sem estrutura mínima.
As imagens, publicadas por Bruno Souza, mostram o momento em que ele chega ao acampamento, ao lado do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), e questiona um dos adultos sobre a permanência no local. “Estamos indo agora verificar uma denúncia gravíssima, que pessoas estão acampadas com crianças no entorno do CFH”, diz a narração no início do registro.
No diálogo gravado, o adulto que recebe a equipe diz estar no local na condição de estudante e afirma que a permanência seria autorizada. Questionado sobre quem teria liberado a ocupação, responde de forma afirmativa quando são citados nomes ligados à reitoria. A versão é dele, registrada no vídeo, e não há confirmação institucional sobre qualquer autorização.
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Bruno Souza insiste no ponto que considera mais grave: a presença das crianças. “Porque essa situação aqui é precária para as crianças. Elas não deveriam estar morando nessa situação aqui”, afirma. Do outro lado, o acampado rebate: “Não tem nada de precário. Ah, eles estão ótimos.”
Ao longo da gravação, o denunciante descreve a falta de estrutura. “Não tem aqui um banheiro para elas, não tem um teto para elas, não tem nada. Elas estão aqui de forma precária, de forma indevida”, diz, antes de anunciar que levaria o caso aos órgãos de proteção. “Vocês serão denunciados hoje pelo Conselho Tutelar.”
Segundo a denúncia, o acampamento já teria se deslocado de outra área da universidade antes de se fixar no entorno do CFH, e a permanência se estenderia por meses. O autor do registro afirma ainda que a situação seria agravada por uma suposta complacência da administração da universidade, alegação que, até o momento, não tem confirmação oficial.
O caso ganhou repercussão num momento de transição na UFSC. A gestão do reitor Irineu Manoel de Souza encerra oficialmente em 3 de julho de 2026, e a nova reitoria, eleita em consulta à comunidade acadêmica, ainda aguarda a nomeação. Nos comentários da denúncia, parte do público cobrou posicionamento tanto da gestão atual quanto da que vai assumir.
A reportagem não localizou, até a publicação, manifestação oficial da reitoria da UFSC nem do Conselho Tutelar de Florianópolis sobre a denúncia. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que a proteção integral de menores é dever da família, da sociedade e do poder público, e que situações de risco podem ser apuradas pelo Conselho Tutelar e pelos demais órgãos da rede de proteção.
Até a última atualização, não havia informação sobre encaminhamento formal do caso. A denúncia segue circulando nas redes sociais, e a cobrança por uma resposta dos órgãos de proteção e da própria universidade continua em aberto.





















