Em uma rua tranquila de Imbituba, no Litoral Sul de Santa Catarina, uma faixa branca fincada em mourões de madeira anuncia o que, para muita gente Brasil afora, ainda parece ficção: “Self Parking, R$ 10, dez reais”. Nenhuma cancela na entrada. Nenhum atendente para receber o carro. Nenhuma catraca. O motorista simplesmente estaciona, aponta a câmera do celular para um QR Code, faz o pagamento pelo Pix e segue o seu dia.
A única fiscalização é a honestidade de quem para o carro. E é justamente essa simplicidade quase inacreditável que transformou o registro do estacionamento em um retrato que rodou o país e provocou reações divididas: de um lado, quem enxerga ali um jeito diferente de viver; do outro, quem olha desconfiado e não consegue acreditar que aquilo funcione sem alguém vigiando.
Como funciona
O modelo é simples e ousado ao mesmo tempo. A faixa fixada na cerca informa o valor, dez reais, e o QR Code para pagamento. O cliente chega, estaciona o veículo no espaço de chão batido, escaneia o código com o celular, faz o Pix e vai embora. Não há guarita, não há funcionário recebendo o pagamento na saída e não há barreira física impedindo a entrada ou a saída de quem não pagar.
Toda a operação se apoia em uma única premissa: a de que quem usa o espaço vai efetivamente pagar pelo serviço. Sem vigilância e sem cobrança na saída, o funcionamento depende exclusivamente da boa-fé do usuário.
Confiança como regra
A autora do registro fez questão de não idealizar o cenário. Para ela, lugar perfeito não existe, e o catarinense seria o primeiro a saber e a cobrar isso. Santa Catarina figura entre as maiores referências de bem-estar, emprego e segurança do país, mas a marca do estado, na sua visão, não estaria na ausência de falhas, e sim na forma como as pessoas escolhem encarar e resolver cada problema que aparece.
O que ela descreve como característica do estado é um senso de dono coletivo, resumido na ideia de que ali as pessoas cobram, fazem junto e não esperam a solução cair do céu. O estacionamento de Imbituba virou o símbolo dessa tese: pequenas atitudes que mostram como a confiança e o respeito às regras também fazem parte da cultura catarinense.
Sustentado inteiramente pela confiança de que quem para o carro vai mesmo pagar os dez reais, o serviço segue funcionando sem cancela, sem atendente e sem cobrança na saída, provando que, ao menos naquele pedaço do Litoral Sul, o combinado ainda vale mais do que qualquer catraca.



























