A empresária Jeane Moura foi até um salão de beleza considerado de alto padrão, localizado na Estação Milano, em Florianópolis, para fazer um retoque de raiz e cobrir os fios brancos, um procedimento que custa em média R$ 280. Como era dois dias antes do seu aniversário, ela perguntou quanto custaria puxar dois fios de luzes na frente do rosto, apenas para dar uma moldura no visual. A resposta da recepção foi direta: luzes saem entre R$ 1.500 e R$ 1.800, dependendo do cabelo.
Jeane desistiu na hora. Mas foi orientada a conversar com o cabeleireiro, já que não seria o cabelo todo. Sentada na cadeira, ouviu a proposta do profissional: em vez das duas mechas, ele sugeriria levar o tom da raiz para um “frio iluminado”, mostrando uma foto de referência. A empresária hesitou pelo menos três vezes, repetindo que gostava do cabelo como era e que a raiz já a deixava feliz. Ainda assim, aceitou.
Seis horas na cadeira
A partir daí, segundo Jeane, três pessoas passaram a trabalhar no cabelo ao mesmo tempo, puxando com força de um lado para o outro enquanto conversavam entre si. Ela relata que sentiu dor ao desembaraçar e percebeu que os fios estavam quebrando. O salão estava gravando conteúdo para as redes sociais e chegou a colocar um microfone nela antes do procedimento.
Após cerca de seis horas entre cadeira, lavatório, produtos e espera, veio o primeiro choque. Ao secar o cabelo, o resultado era um tom moreno escuro uniforme, sem nenhuma mecha visível. A empresária descreveu o visual como “morena de caixinha de farmácia, daquelas que custam R$ 50”. Funcionários do salão elogiaram o resultado ao passar pela cadeira.
“Eu não colocaria o microfone. Não vai ser bom. Eu não gostei”, disse Jeane, já à beira do choro, ao recusar gravar o depoimento final para o salão.
O cabeleireiro, ao ver o resultado, teria demonstrado surpresa, mas em seguida afirmou que havia ficado “melhor do que imaginava”. Jeane insistiu que não gostou e que o cabelo estava escuro demais. O profissional sugeriu clarear ali mesmo, mas ela recusou, alegando que após seis horas de química pesada e quebra nos fios, uma nova intervenção poderia dissolver o cabelo. “Mais uma agressão dessa vai quebrar tudo”, relatou.
A conta
Frustrada, a empresária seguiu para o caixa. A conta chegou a R$ 2.264. Sem conseguir reagir no momento, passou o cartão, foi para o carro e chorou. Depois, enviou mensagem ao salão pedindo o detalhamento da cobrança.
Jeane registrou toda a experiência em vídeo publicado nas redes sociais, onde descreveu o episódio como “abuso de poder” por parte do salão. Nos comentários da publicação, muitas pessoas relataram situações semelhantes em salões de diferentes cidades do Brasil, incluindo cobranças inesperadas e resultados completamente diferentes do combinado.
Repercussão
Uma cabeleireira que comentou na publicação disse sentir vergonha pela postura de alguns profissionais e afirmou que muitas clientes chegam ao seu espaço “totalmente traumatizadas” por experiências parecidas. Outro comentário, de uma brasileira que mora na França, afirmou que, no país europeu, esse tipo de situação geraria processo judicial.
Jeane não divulgou o nome do salão no vídeo, mas marcou a localização na publicação. Até o momento, não há registro público de manifestação do estabelecimento sobre o caso. A denúncia segue repercutindo nas redes sociais.
























