Santa Catarina começou esta segunda-feira (28) sob os efeitos de um potente ciclone extratropical que se forma próximo à costa do Rio Grande do Sul. A Serra do Rio do Rastro, no município de Bom Jardim da Serra, registrou uma das maiores intensidades: rajadas de vento atingiram 132 km/h, conforme medição da estação meteorológica da região.
A ventania extrema foi registrada por volta das 10h20 da manhã e é considerada comum na localidade durante eventos ciclônicos, devido à sua posição geográfica entre o planalto e o litoral. A média de vento nos últimos 10 minutos no momento da medição era de 77,2 km/h, segundo dados da MetSul Meteorologia.
Nas redes sociais, vídeos mostraram a força do vento no alto da serra, derrubando objetos e exigindo atenção redobrada de motoristas e visitantes. O jornalista Sérgio Rodrigues, que estava no mirante no momento das rajadas, relatou ventos violentos: “Aproximadamente 110 km/h agora, a sensação é de que vai levantar tudo.”
Além da Serra do Rio do Rastro, outras cidades catarinenses e gaúchas litorâneas também enfrentam ventos fortes. De acordo com o perfil Conexão Geoclima, localidades como Torres (RS), Porto Alegre e áreas do Litoral Sul de SC já superaram os 100 km/h em rajadas. A tendência, segundo os meteorologistas, é que os ventos sigam avançando para o norte, atingindo outras regiões do Sul e Sudeste do Brasil, como o leste do Paraná, sul de São Paulo e parte do Mato Grosso do Sul.
A circulação dos ventos também está causando forte agitação marítima. Em Cidreira (RS), no Litoral Norte gaúcho, as ondas estão mais intensas e irregulares, com alto risco de ressaca para as próximas 24 horas, inclusive em trechos do litoral sul catarinense. A Defesa Civil e a Marinha do Brasil alertam para que atividades na orla sejam evitadas durante esse período.
Outro fator preocupante é a queda brusca nas temperaturas. A massa de ar frio associada ao ciclone começa a avançar por SC e RS, com previsão de mínimas entre 0°C e -5°C nas áreas mais altas da Serra. Há possibilidade de geada forte e até precipitação invernal no topo da serra catarinense.
As previsões indicam que o fenômeno deve seguir atuando com força pelo menos até a madrugada de terça-feira (29). O alerta máximo se estende a todo o Litoral Sul catarinense, Planalto Sul, Grande Florianópolis e parte do Vale do Itajaí, onde os ventos devem manter intensidade entre 80 e 120 km/h, com picos isolados ainda maiores.
A orientação da Defesa Civil é para que a população evite áreas abertas, não se abrigue sob árvores ou estruturas metálicas e mantenha distância de redes elétricas expostas. Em caso de emergência, o contato deve ser feito pelo 199 ou 193.
Especialistas reforçam que, apesar de não ser um fenômeno raro, ciclones extratropicais como este devem ser acompanhados com atenção, já que a combinação de vento, frio e mar agitado pode provocar diversos transtornos, como queda de árvores, destelhamentos, suspensão de serviços e até interrupção no fornecimento de energia em algumas regiões.
O monitoramento segue em tempo real pelos órgãos de meteorologia, e novas atualizações serão emitidas caso a situação se agrave.
























