No bairro Budag, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, uma família vive há dois anos uma corrida contra o tempo. Arthur Bernardo Lopes tinha 2 anos quando começou a mancar de uma perna. Foi a primeira pista.
Em entrevista ao Jornal Razão, os pais, Geovan Lopes e Taise Andressa Back Lopes, levaram o menino à UPA, o raio X não mostrou nada de errado, e o médico orientou observação em casa. No dia seguinte, o braço dele apareceu curvado. Ali começou uma corrida que já dura dois anos e não terminou.
Encaminhado ao Hospital Regional, o menino ficou dez dias internado até a família conseguir, com muita insistência e uma ida à Secretaria de Saúde, uma ressonância magnética com anestesista pediátrico, procedimento que a unidade não oferecia.

O exame foi feito em Blumenau. O resultado veio pesado: um glioma no tronco cerebral, infiltrado em direção ao bulbo, região que comanda a via respiratória e o batimento cardíaco.

A transferência seguinte veio errada. Em vez do hospital oncológico, Arthur foi levado para o neuropediátrico, em Jaraguá do Sul. Sem alternativa, Geovan recorreu às redes sociais, pedindo que as pessoas marcassem canais de imprensa para pressionar a correção. Deu certo. O menino conseguiu ser transferido para Florianópolis, onde a batalha de fato começou.

Cinquenta sessões e um tumor que insiste
Na capital, foram 30 sessões de radioterapia. Na época, a família recebeu ajuda financeira em uma vaquinha e vendeu um imóvel que tinha em Lontras. O dinheiro sustentou o tratamento por um tempo. Dois anos depois, acabou.
“Paga alguma coisa, aluguel, vai pro lugar, vai viajar, tenta um tratamento, exame médico e não dá certo de um lado, dá certo de outro e só sai, só gasta”, resume o pai.
Em 2025, o tumor voltou a crescer. Vieram mais 20 sessões, totalizando 50. O tumor estabilizou e a medida caiu de 24 para 12. Mas em maio deste ano, uma nova ressonância mostrou que ele havia voltado a crescer.

Agora o problema é maior. Arthur já acumulou radiação demais no organismo e não pode mais receber a mesma quantidade de sessões. Estuda-se uma terceira rodada, de cinco a sete aplicações, apenas para tentar frear o avanço e comprar mais tempo de vida.
O risco de necrose é alto, e por isso a médica ainda não autorizou o início. Uma consulta com a oncologista está marcada para 29 de julho, e uma conversa com a equipe de radiologia, para 14 de agosto, quando será definido se o procedimento é viável.
Cada dia é um dia diferente
O glioma de tronco cerebral não compromete a cognição da criança. Arthur entende tudo, conversa, brinca. O que o tumor atinge é o controle da respiração, dos batimentos cardíacos, da visão, da audição e do equilíbrio. Na prática, isso significa que há dias em que ele acorda bem e dias em que não consegue andar direito, esbarra e cai por todo canto, ou nem consegue falar.
“Tem dia que tu olha para ele e parece que não tem nada, não dá para entender”, diz Geovan. “Nem os médicos sabem explicar”.

A imunidade baixa transformou a casa em uma bolha. A família evita sair com o menino e nem usa transporte sanitário do município, porque o veículo leva mais de um paciente. Ainda assim, na semana passada Arthur contraiu influenza B e foi parar na UTI.
O episódio trouxe uma conta extra de medicamentos, entre eles Tamiflu e antibióticos, fora do orçamento previsto.
A conta que não fecha
A família mora de aluguel no bairro Budag, em Rio do Sul. As despesas mensais giram em torno de R$ 4 mil a R$ 4,5 mil, sem contar imprevistos. Os deslocamentos para consultas em Blumenau, oncologia, radiologia, fonoaudiologia e nutrição, são feitos no carro próprio, o que encarece tudo.

Há também Murilo Benício Lopes, de 9 anos, irmão de Arthur, que depende dos pais. E há a impossibilidade de trabalhar com regularidade.
“Quando eu começo a trabalhar em algum lugar, eu tenho que sair, porque acontece alguma coisa com ele e eu tenho que correr”, conta Geovan. “A gente sempre foi gente que trabalhou, nunca dependeu de ajuda. De dois anos pra cá, minha vida virou do avesso”.
Enquanto isso, a família busca alternativas. Arthur toma vitaminas, curcumina e canabidiol prescritos por um médico que acompanha a linha de cuidado paliativo, fora do protocolo oncológico.
Os pais querem consultar um especialista em Porto Alegre sobre a terapia CAR-T, sem saber ainda se o caso do filho se enquadra. E querem retornar a um neurocirurgião de referência no país para avaliar se existe alguma possibilidade cirúrgica. A consulta particular com ele custa R$ 2.500 e nada é coberto pelo SUS.
O luto dentro do luto
A doença de Arthur não veio sozinha. Em 2024, no mesmo dia em que a família saiu de casa para buscar o resultado de uma ressonância, o único irmão de Taise morreu de infarto, aos 39 anos. Há cerca de um mês, a avó paterna, que acompanhou toda a jornada do neto, também faleceu.
Segundo Geovan, o prognóstico médico atual fala em 14 a 16 semanas de vida.
“Não é fácil pra um pai, pra uma mãe escutar isso. A gente tenta ser forte todos os dias”, diz ele.

Como ajudar
Arthur completa 5 anos em 7 de fevereiro. Até lá, o pedido da família é simples e cabe em uma frase dita pelo pai: que o pouco tempo que restar seja bom, que o menino esteja feliz e que não lhe falte nada.

Quem quiser contribuir pode fazer doações diretamente aos pais pelo Pix:
(47) 98846-6771 — Nubank, em nome de Geovan Lopes
(47) 98814-8810 — Banco Ton, em nome de Taise Andressa Back
Há ainda uma Ação entre Amigos em andamento, de um cavalo doado à família, que segue com vendas lentas.
“Eu só queria dar mais qualidade de vida pra ele, mesmo que ele não fique muito tempo com nós nesse mundo”, diz Geovan. “O pouco tempo que eu puder passar do lado dele, eu queria que ele tivesse bem”, finalizou.
























