Um pescador artesanal da Barra da Lagoa, em Florianópolis, usou as redes sociais para desabafar sobre a dificuldade de vender o pescado em plena safra da tainha em Santa Catarina. O vídeo foi publicado na noite desta quinta-feira, 28 de maio, e mostra ao fundo uma grande quantidade de peixe à espera de comprador.
Na gravação, feita na praia de Saragaço, o pescador conta que deixou de cercar três cardumes ao longo do dia por causa da situação. Segundo ele, não havia estrutura para escoar a captura.
Não tem caixa, não tem caminhão, não tem comprador. Não sei se é monopólio em cima do pescador para baixar o preço, mas é isso que acontece com os pescadores. É uma vergonha.
O pescador relata que o peixe corria o risco de passar a noite inteira na praia, sem destino. Ele acredita que o problema não se restringe à Barra da Lagoa e atinge outras comunidades pesqueiras da cidade.
Assim como a Barra da Lagoa está passando por essa situação, acredito que as outras praias também: Campeche, Lagoinha, Ingleses. Para nós, é difícil.
A cota e o desestímulo
Além da falta de estrutura para a venda, ele criticou a cota de captura imposta pelo Ministério da Pesca. Para a temporada deste ano, em Santa Catarina, podem ser capturadas 5,2 mil toneladas de tainha entre maio e julho.
Além do Ministério da Pesca impor em cima de nós a cota, não tem preço, não tem caixa, não tem caminhão. Para nós é um desestímulo muito grande para a pesca artesanal.
Mar cheio, terra vazia
O desabafo contrasta com os números da temporada. Segundo o programa SC No Ar, da NDTV Record, a safra da tainha em Florianópolis já chegou a quase 400 toneladas de peixe. Nesta semana, pescadores do Pântano do Sul comemoraram um dos maiores lanços da temporada, com mais de 17,5 mil tainhas em uma única captura, classificada como quase inédita e apontada como sinal da melhor safra dos últimos 40 anos.
Esse cenário expõe um descompasso entre a fartura no mar e a falta de quem compre o pescado em terra. Enquanto algumas comunidades celebram capturas históricas, pescadores artesanais relatam que o excesso de oferta pressiona o preço para baixo e deixa parte do peixe sem comprador.
Até a última atualização, não havia manifestação oficial do Ministério da Pesca, de compradores ou de entidades do setor sobre as queixas relatadas no vídeo. A safra da tainha segue até julho.





















