Um único cabo, entre os noventa que sustentam o vão de 400 metros da Ponte Anita Garibaldi, foi o suficiente para parar o principal corredor logístico entre o Norte e o Sul de Santa Catarina. Desde a noite do dia 9 de julho, quem cruza a BR-101 em Laguna encara desvio por via marginal, pista em mão dupla e velocidade máxima de 20 km/h. Nesta quinta-feira (16), a ViaCosteira informou que o cronograma segue sendo cumprido e que a previsão de liberar o tráfego permanece mantida para o dia 20 de julho, desde que todas as condições de segurança sejam atendidas.
Segundo a concessionária, as equipes trabalham para concluir os reparos e as análises técnicas da estrutura. A interdição total continua sendo necessária para garantir a segurança dos profissionais que atuam dentro da ponte e dos motoristas que passam pela região. A ViaCosteira destacou que os serviços avançam conforme o planejamento e que a reabertura depende da conclusão da manutenção e da confirmação de que a estrutura oferece total segurança para a circulação de veículos.
O bloqueio começou às 19h do dia 9 de julho, depois que a segunda inspeção especial do ano identificou uma anomalia em uma das cordoalhas, o conjunto de fios de aço de alta resistência torcidos entre si que compõe cada cabo de sustentação. Houve rompimento parcial de fios internos em apenas um dos 90 cabos do sistema estrutural. O cabo não se rompeu por completo, mas a concessionária optou por fechar tudo para reparar e aprofundar as análises.
A concessionária afirma que não há risco de colapso.
Nós reforçamos que não há riscos estruturais, a estrutura está intacta.
Fernando de Marchi, diretor da ViaCosteira
Ele explicou que a interdição foi uma decisão preventiva pelo tipo de trabalho que precisa ser feito. “Interditar o tráfego foi uma medida sensata para que possamos analisar a parte interna da ponte como um todo, e acima de tudo para garantir a segurança das equipes que estarão atuando neste processo. Os engenheiros irão adentrar a estrutura da ponte e isso precisa de muito cuidado e segurança”, reforçou.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres acompanha todas as etapas da operação por meio de equipes técnicas e de fiscalização. A primeira vistoria detalhada de 2026 foi feita em abril e não apontou irregularidade nenhuma. A segunda, realizada na semana da interdição, encontrou o problema, e o fechamento foi determinado assim que o relatório técnico ficou pronto. Um consultor italiano especializado em pontes estaiadas acompanha as inspeções e auxilia na análise técnica.
Como ficam os desvios
Enquanto a ponte segue fechada, os motoristas precisam usar rotas alternativas nos dois sentidos, e a atenção à sinalização é o que separa a viagem tranquila do transtorno.
No sentido Sul, rumo a Porto Alegre, o desvio começa no km 311 da BR-101. Os veículos seguem pela via marginal, passam pela Ponte de Cabeçudas e pelo bairro Bananal antes de retornar à pista principal depois do trecho interditado.
No sentido Norte, rumo a Florianópolis, o acesso ao desvio é feito no km 315, na altura do bairro Bananal. O trajeto segue pela via marginal, passa pela Ponte de Cabeçudas e continua até as proximidades do Posto Lagoa. Durante a operação, esse trecho da via marginal funciona temporariamente em mão dupla, o que exige redobrar o cuidado.
A orientação da ViaCosteira é para que os motoristas fiquem atentos à sinalização e, se possível, programem a viagem com antecedência. Para quem precisa evitar de vez o trecho, há alternativas: a SC-100, pelo Farol de Santa Marta, para deslocamentos regionais; a balsa entre Laguna e Ponta da Barra, voltada principalmente a veículos leves e moradores; e a BR-282, para viagens longas entre regiões do Estado, embora o percurso aumente bastante.
Uma das maiores do país
Inaugurada em julho de 2015, a Anita Garibaldi é uma das principais obras de engenharia rodoviária de Santa Catarina e um cartão-postal do Sul do Estado. São 2,8 quilômetros de extensão, pista dupla e um vão central de 400 metros sustentado por cabos de aço, com duas torres que passam dos 50 metros de altura. Na inauguração, a expectativa era de que cerca de 27 mil veículos passassem por ali todos os dias.
É esse volume que explica o tamanho do impacto. Além de integrar a duplicação da BR-101, a ponte virou o principal corredor logístico entre o Norte e o Sul catarinense, e cada hora de interdição se converte em fila, atraso de carga e prejuízo para quem depende da rodovia.
Mesmo com a liberação prevista para o dia 20, a ViaCosteira já avisou que outras intervenções seguirão sendo executadas na estrutura depois dessa etapa. A liberação está condicionada à evolução dos serviços e às condições de segurança avaliadas pelas equipes técnicas.
























