A JET mal começou a espalhar seus patinetes azuis por Itapema e já virou alvo de reclamação. Imagens encaminhadas ao Jornal Razão mostram equipamentos agrupados em calçadas na Meia Praia. O registro, datado de 28 de julho, foi acompanhado da denúncia de que a empresa estaria “fazendo bagunça pela cidade” logo após o credenciamento.
O alerta não surge do nada. A mesma empresa carrega um histórico recente de recolhimentos e problemas operacionais em Balneário Camboriú. Em janeiro de 2026, aproximadamente 650 patinetes da JET foram retirados das ruas. Segundo a prefeitura, a autorização especial da empresa havia terminado e o processo de credenciamento ainda não estava concluído.
Antes disso, em dezembro de 2025, outros 37 equipamentos já haviam sido recolhidos por estacionamento inadequado. Entre os problemas apontados estavam patinetes deixados sobre calçadas, pisos táteis, entradas de estabelecimentos e acessos de imóveis.

A JET conseguiu se regularizar posteriormente e foi autorizada a operar com até 500 patinetes em Balneário Camboriú. A confusão, porém, não terminou com o credenciamento.
Em maio, após novas reclamações, agentes municipais retiraram pelo menos 20 patinetes excedentes de duas estações da empresa. Em um dos pontos havia mais de 20 equipamentos. A regra de Balneário Camboriú permite no máximo dez patinetes de cada empresa por estação. A fiscalização deixou somente a quantidade autorizada.
Agora, com a chegada dos equipamentos azuis a Itapema, moradores temem que o mesmo cenário se repita. A legislação municipal determina que empresas de compartilhamento sejam credenciadas e sigam um plano de implantação, com locais definidos para estacionamento e regras para utilização dos espaços públicos.
Há, entretanto, uma informação que ainda precisa ser esclarecida pela Prefeitura de Itapema: qual é o limite de patinetes autorizado para a JET, quantas unidades foram colocadas nas ruas e quais pontos estão oficialmente liberados como estações. O termo completo de credenciamento e o mapa da operação não foram localizados nas fontes públicas consultadas.
As fotografias, isoladamente, não comprovam que os equipamentos estejam fora de uma estação autorizada. Também não é possível aplicar automaticamente em Itapema o limite de dez unidades utilizado em Balneário Camboriú. A denúncia, porém, ganha peso diante do histórico recente da empresa na cidade vizinha.
A JET afirma que utiliza geolocalização, controle de velocidade, fotografia obrigatória ao final da corrida e bloqueio de usuários que deixam os equipamentos em locais inadequados. Ainda assim, os recolhimentos realizados em Balneário Camboriú mostram que o controle prometido pela empresa nem sempre impediu o acúmulo irregular de patinetes nas ruas.
A chegada da JET, portanto, exige fiscalização desde o primeiro dia. Cabe agora à Prefeitura de Itapema esclarecer se os pontos fotografados estão autorizados, divulgar os limites do credenciamento e impedir que as calçadas da cidade virem estacionamento particular de uma empresa de micromobilidade.





















