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Sem salários, vigilantes protestam “fechando” presídios de Santa Catarina

Terceirizados da empresa Segplus paralisaram atividades em unidades prisionais do estado cobrando salários atrasados. Em algumas cadeias, policiais penais assumiram as guaritas. A Sejuri afirma que quitou todas as faturas e que o pagamento dos salários é responsabilidade da prestadora.

Sem salários, vigilantes protestam “fechando” presídios de Santa Catarina
Foto: Reprodução
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Muralha sem vigia, pátio fechado, visita suspensa. É essa a cena em unidades prisionais de Santa Catarina depois que os vigilantes terceirizados que controlam a entrada, a saída e o topo dos muros das cadeias cruzaram os braços. Sem receber salário, eles pararam, e onde pararam a rotina do presídio travou.

Os trabalhadores são empregados da empresa Segplus, contratada para a segurança perimetral das unidades prisionais do estado. As manifestações começaram na manhã de quarta-feira e, em algumas localidades, os funcionários simplesmente não assumiram os postos. Em Joinville, ficaram do lado de fora das unidades e a própria polícia penal precisou assumir as guaritas. O motivo, segundo os terceirizados, é a falta de pagamento dos salários.

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Na penitenciária da Agronômica, em Florianópolis, uma faixa enorme foi estendida cobrando providências. E o clima é de incerteza: circulam versões de que a empresa estaria em situação financeira ruim e de que o contrato com o estado venceria no mês que vem. Nada disso foi confirmado oficialmente.

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“A cadeia não funciona”

Em Tijucas, um dos vigilantes que aderiu ao protesto resumiu o efeito da paralisação. Segundo ele, o presídio da cidade amanheceu fechado porque não havia quem subisse as muralhas nem controlasse quem entra e quem sai.

Sem vigilante a cadeia não funciona. Hoje o presídio está fechado porque os vigilantes estão sem pagamento do salário, sem pagamento das horas extras e sem o vale-refeição. Não vai ter visita hoje, os pátios foram todos fechados, porque não tem vigilante para subir as muralhas e nem para cuidar da entrada e saída do presídio.

O trabalhador conta que a empresa alega não ter recebido o repasse do governo, mas que o próprio estado emitiu nota afirmando ter pago integralmente o valor necessário. No meio desse impasse, quem fica sem salário são os vigilantes.

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A nossa empresa, a Segplus, fala que o governo não repassou o pagamento, mas o governo emitiu uma nota dizendo que pagou inteiro o total que é necessário. Estamos esperando uma resposta do nosso governador Jorginho Mello, que nos ajude. Queremos que paguem o nosso salário, porque nós viemos para trabalhar. Todos estão aqui para trabalhar, mas nós não temos salário, temos família e esperamos essa resposta.

Relatos de familiares reforçam o quadro. De acordo com parentes de funcionários, os salários estariam atrasados há meses, e benefícios básicos como o vale-alimentação também não estariam sendo pagos, mesmo com os profissionais seguindo em serviço essencial.

O que diz a Sejuri

Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informou que todas as faturas emitidas até junho de 2026, referentes aos contratos dos terceirizados sob sua gestão, foram quitadas conforme o cronograma de pagamentos do Tesouro do Estado. Segundo a pasta, não há registro de atraso nos repasses relativos às faturas já emitidas e processadas.

A secretaria afirma ainda que eventuais questões relacionadas ao pagamento de salários dos colaboradores das empresas contratadas são de responsabilidade exclusiva das prestadoras de serviço, sem relação com a regularidade dos pagamentos efetuados pela Sejuri. De acordo com o órgão, nas unidades em que os vigilantes não assumiram os postos, os policiais penais assumiram, e o estado estaria tomando todas as medidas administrativas cabíveis.

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Enquanto empresa e governo divergem sobre de quem é a conta, os trabalhadores seguem aguardando uma definição, e as cadeias operam sob esquema de contingência com os policiais penais nas muralhas.

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