Foram poucos segundos. O caminhão já tinha começado a conversão quando a scooter elétrica apareceu pela ciclofaixa, no mesmo instante e no mesmo ponto. A câmera de segurança que apontava para o cruzamento registrou tudo, do movimento inicial do veículo pesado ao corpo do condutor caído no asfalto, ao lado das rodas da carreta.
O acidente foi registrado na manhã de sexta-feira, no Centro de Navegantes, no Litoral Norte catarinense. As imagens mostram o caminhão iniciando a manobra enquanto a scooter seguia pela faixa reservada aos ciclos. Instantes depois, ocorre a colisão entre os dois.
Impacto e socorro
Com a força do impacto, o condutor da scooter elétrica ficou desacordado e caiu na pista. Pessoas que presenciaram a batida correram até ele e prestaram os primeiros socorros ali mesmo, entre a calçada e a pista, até a chegada das equipes de emergência. O estado de saúde da vítima não foi informado.
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As circunstâncias e a responsabilidade pelo acidente ainda deverão ser apuradas pelas autoridades competentes. Até o momento, não há definição oficial sobre quem deu causa à colisão, nem informação sobre autuação de qualquer um dos condutores.
Vídeo divide moradores
Quando o vídeo começou a circular nas redes sociais, a discussão deixou de ser sobre aquele cruzamento e virou um julgamento coletivo do trânsito de Navegantes. “A velocidade em que eles andam é surreal”, escreveu uma moradora. Outra foi na mesma direção: “Vocês viram a velocidade da scooter? Assim o tempo todo em cruzamento, faixas de pedestres, travessias, onde deviam reduzir a velocidade.”
Do outro lado, uma parcela igualmente ruidosa responsabiliza o motorista do caminhão pela manobra. “O caminhão foi o errado, ele tinha que esperar a scooter passar para depois ele entrar”, afirmou uma internauta. Outro comentário resumiu a leitura: “Tem que esperar quem está na ciclovia passar.”
A queixa mais repetida, porém, não é sobre culpa, e sim sobre ausência de fiscalização. Há relatos de adolescentes conduzindo os equipamentos, de duas ou três pessoas na mesma scooter e de circulação no meio da via, dividindo espaço com carros, motos e caminhões.
Precisam tomar uma atitude urgente porque é só o começo de muitos acidentes que vão acontecer ainda.
O que diz a norma
A regra existe. A Resolução nº 947 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em vigor desde abril de 2022, permite que equipamentos de mobilidade individual autopropelidos circulem em ciclovias e ciclofaixas com velocidade máxima de 20 km/h, e de 6 km/h em áreas de circulação de pedestres. A mesma norma exige indicador de velocidade, campainha e sinalização noturna dianteira, traseira e lateral.
O enquadramento, no entanto, depende das características do equipamento. Modelos mais potentes, com acelerador manual e velocidade acima do limite previsto, são equiparados a ciclomotores pela resolução, o que muda completamente a exigência: nesse caso, o veículo não pode trafegar pela ciclofaixa e o condutor precisa de habilitação. Não há informação sobre qual é a classificação da scooter envolvida na batida de Navegantes.
A resolução também estabelece que cabe aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos municípios regulamentar, dentro de sua circunscrição, a circulação desses equipamentos. Ou seja, a definição de como scooters e patinetes elétricos convivem com pedestres, ciclistas e veículos nas ruas de Navegantes é uma decisão municipal.
Enquanto a discussão corre nas redes, o registro em vídeo tende a ser a principal peça na apuração do caso, já que mostra a sequência completa do que aconteceu antes, durante e depois da colisão. A ocorrência segue em análise pelas autoridades.






















