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Suspeito de comandar esquema de R$ 50 milhões com eventos em SC é vereador de Indaial

Conforme a investigação do GAECO, Carlos Eduardo Cunha, o Dudu Cunha (MDB), integra o eixo central do cartel mirado pela Operação Pão e Circo, e áudio atribuído ao parlamentar com suposta ameaças a um concorrente voltou a circular após a ação. O MPSC chegou a pedir sua prisão preventiva, mas a Justiça aplicou apenas medidas cautelares.

Suspeito de comandar esquema de R$ 50 milhões com eventos em SC é vereador de Indaial
Foto: Reprodução
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“Eu acho que seria bom a gente ficar cada um no seu quadrado, né, cara?” A frase, dita em tom de aviso num áudio que voltou a circular depois da Operação Pão e Circo, é atribuída a um dos nomes apontados no comando do cartel que supostamente fraudava licitações de shows em Santa Catarina. E o dono da voz, segundo a atribuição que acompanha a gravação, não é um empresário qualquer: é um vereador no exercício do mandato.

Carlos Eduardo Cunha, conhecido como Dudu Cunha, é vereador de Indaial pelo MDB e apontado pela investigação como integrante do eixo central do cartel mirado pela operação deflagrada nesta terça-feira (7) pelo GAECO do Ministério Público de Santa Catarina, ao lado da Polícia Civil. Morador de Indaial, ele é ligado à DCX Eventos, uma das empresas que, conforme a apuração, se revezavam nas disputas públicas para simular concorrência e garantir contratos já combinados.

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O esquema investigado é milionário. Segundo o Ministério Público, o grupo de empresários do setor de eventos participou de mais de 400 licitações em dezenas de municípios catarinenses, com contratações que passam de R$ 50 milhões e uma taxa de vitória de quase 75%, percentual que a investigação aponta como prova numérica do direcionamento. O roteiro, conforme o MPSC, se repetia: acerto prévio com agentes públicos antes de qualquer edital, reserva antecipada de artistas de renome nacional com exclusividade, edital publicado com prazo curto e cláusula sob medida, e empresas do próprio grupo disputando entre si para dar aparência de legalidade.

Assista ao vídeo

Áudio atribuído ao vereador voltou a circular após a operação

Cada um no seu quadrado

Um dos pilares do cartel descrito pela investigação era justamente a divisão de território: os empresários definiam entre si a região de atuação de cada um e respeitavam essa combinação, evitando concorrência real. É exatamente essa lógica que aparece no áudio atribuído ao vereador, no qual ele supostamente ameaça um interlocutor do ramo de eventos que teria tentado entrar em licitações de cidades sob sua influência.

Ô irmão, tudo bem? Cara, eu tô sabendo aí que tu tá se intrometendo em algumas coisas minhas aí, cara. Eu acho que seria bom a gente ficar cada um no seu quadrado, né, cara? Seria bom? Eu acho que tu me respeitando, eu te respeitando, eu não vou nas tuas coisas, porque as coisas podem tender a ficar pior, cara, sabe?

Trecho de áudio atribuído ao vereador Carlos Eduardo Cunha

A mensagem segue em tom de cobrança e aviso: “Então eu acho que tu tava lá no passado comigo, tu ganhou dinheirinho, então eu só tô te dando uma dica pra ti, cara. Eu larguei a mão de ser bobo, tá? Se tu queres participar, cara, vai abrir cidade, vai abrir eventos como tu tá abrindo, que ninguém vai te incomodar, mas não vem me incomodar”. E encerra: “Só vou te dar uma dica, eu já não gosto de falar. Então eu não mando recado, eu tô te chamando direto”.

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O peso do vereador dentro do esquema aparece no tratamento que a investigação deu ao caso. O Ministério Público chegou a pedir a prisão preventiva de Dudu Cunha, ao lado de outros integrantes do núcleo central do grupo. A Justiça negou o pedido e aplicou medidas cautelares, como restrições para contratar com o poder público, proibição de acesso a repartições municipais e de contato entre investigados e testemunhas.

A operação

A Operação Pão e Circo cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios, 18 em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul, e resultou na prisão preventiva do empresário José Clemir Spinelli, em Itapema, além do afastamento do prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL). O Tribunal de Justiça de Santa Catarina também determinou o bloqueio de cerca de R$ 9 milhões em bens e valores dos investigados.

O material apreendido nas diligências será encaminhado à Polícia Científica para perícia, e a investigação segue sob sigilo. Segundo o MPSC, o objetivo é desmantelar por completo a rede criminosa, que atuaria ao menos desde 2017.

A reportagem tenta contato com o vereador Carlos Eduardo Cunha e com a Câmara de Indaial, e o espaço segue aberto para manifestações.

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