Um comerciante de 75 anos saiu pra cobrar o aluguel dos próprios inquilinos e nunca mais voltou pra casa. Menos de 48 horas depois, a Polícia Civil encontrou o corpo de Valdir Bazanella enterrado nos fundos da residência que ele alugava, na região central de Pinhalzinho, no Oeste catarinense, com as mãos e os pés amarrados e um fio enrolado no pescoço. A identidade foi confirmada pelo delegado Éder Matte.
O motivo, segundo a investigação, foi uma discussão ligada ao contrato de locação e ao pagamento do aluguel. Pela apuração, o desentendimento entre o proprietário e os dois inquilinos aconteceu na quinta-feira, dia 23, e foi a última vez em que Valdir foi visto com vida.
A cobrança e o sumiço
A sequência começou como um atrito doméstico comum. Valdir mantinha os dois inquilinos no imóvel e, conforme a Polícia Civil, foi tratar da cobrança quando a conversa virou desentendimento. Depois disso, ninguém mais teve contato com o idoso.
O desaparecimento só ganhou contorno de caso policial quando a família percebeu o silêncio e registrou a ocorrência. O comunicado deu início a uma sequência de diligências conduzidas pela Delegacia de Polícia de Fronteira de Pinhalzinho, com apoio da Operação Brasil Contra o Crime Organizado.
A investigação que fechou o cerco
Os investigadores levantaram os últimos passos do comerciante e chegaram ao ponto que deu direção às buscas: a última aparição de Valdir estava ligada justamente ao desentendimento com os inquilinos por causa do aluguel.
Na sexta-feira, 24, as equipes trabalharam de forma ininterrupta na apuração, cruzando informações sobre a rotina da vítima e a relação com os dois homens que ocupavam o imóvel.
No sábado, 25, com os indícios reunidos, os policiais foram até a residência onde os investigados moravam e passaram a vistoriar o terreno. Foi nos fundos do imóvel que localizaram a cova, na tarde daquele dia.
A cena e as prisões
Logo no primeiro exame do local, os indícios de violência apareceram: as mãos e os pés da vítima estavam amarrados, e havia um fio enrolado no pescoço. A condição em que o corpo foi encontrado passou a orientar a linha de investigação sobre a dinâmica do homicídio e a ocultação do cadáver.
Os dois inquilinos, os venezuelanos Yorbinson José Navarro Vargas, de 30 anos, e Jean Nuel Cabrera Diaz, de 20, foram presos em flagrante. Segundo a polícia, um deles ainda tentou fugir e desobedeceu às ordens durante a abordagem, mas foi contido no local. Eles são apontados como responsáveis pela morte do idoso.
A Polícia Civil destacou que o caso foi esclarecido em menos de 48 horas, resultado do trabalho contínuo das equipes desde o momento em que o desaparecimento foi comunicado. A cronologia é curta e brutal: a discussão por aluguel na quinta-feira, o sumiço no mesmo dia, o registro da ocorrência, as diligências ininterruptas e, no sábado, a cova no quintal e as prisões.
O que dá contorno ao caso é a relação entre vítima e suspeitos. Não se trata de crime entre desconhecidos, e sim de uma disputa doméstica por dinheiro de aluguel entre proprietário e inquilinos, o tipo de atrito cotidiano que raramente termina em morte violenta.
O inquérito segue em andamento. A Polícia Civil trabalha agora para esclarecer a dinâmica exata do homicídio, o grau de participação de cada um dos presos e o intervalo entre a discussão e a morte de Valdir Bazanella. Os dois permanecem presos à disposição da Justiça enquanto a investigação é concluída.
























