Entre as 338 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, só uma terminou 2025 com menos mortes violentas por morador que Tubarão, e ela fica no ABC paulista. A Cidade Azul, no sul catarinense, fechou o ano com uma taxa de 1,7 morte violenta intencional por 100 mil habitantes, atrás apenas de São Caetano do Sul, que registrou 1,2. É a melhor posição já alcançada pelo município em um levantamento nacional de segurança pública.
Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O ranking também confirma Tubarão como a cidade mais segura de Santa Catarina, à frente de Blumenau (2,6) e Jaraguá do Sul (3,0). São José aparece na quinta colocação estadual.
A comparação é proporcional ao tamanho da população, não pelo número absoluto de casos. O indicador usado pelo Anuário é o de Mortes Violentas Intencionais, o MVI, que reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes cometidas por policiais. É uma medida mais ampla que a de homicídio doloso e trabalha com registros administrativos das secretarias estaduais de segurança pública, cruzados com estimativas populacionais do IBGE.
Com cerca de 117 mil moradores, Tubarão entra no recorte por pouco, o que torna o resultado ainda mais expressivo. Em cidades desse porte, um único caso a mais ou a menos move a taxa de forma sensível, e o município conseguiu sustentar o índice mais baixo do estado.
Uma escalada de três anos
A colocação não veio de um ano isolado. Em 2024, o Atlas da Violência apontava Tubarão como a quarta cidade do país com menor taxa de homicídio entre 319 municípios, com dados referentes a 2022. No Anuário Cidades Mais Seguras do Brasil, da MySide, publicado em novembro do ano passado, o município saltou do 5º para o 3º lugar em Santa Catarina, reduzindo a taxa de 7,0 para 2,8, e entrou pela primeira vez no top 3 nacional. Agora chega ao segundo lugar do país.
Já o Atlas da Violência 2026, divulgado em maio, colocou Tubarão na 11ª posição nacional com taxa de 5,2 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, um número bem acima do registrado pelo Anuário. A diferença tem explicação metodológica: o Atlas parte de dados do Ministério da Saúde e inclui mortes por causa indeterminada reclassificadas como homicídio, enquanto o Anuário trabalha com os registros das polícias. Na ocasião, o delegado regional de Tubarão, Lucas de Sá Rezende, apontou a distorção.
É importante ressaltar que o Atlas é baseado em dados do Ministério da Saúde. De acordo com os nossos dados, Tubarão registrou apenas um homicídio doloso em 2024. Então, essas outras mortes citadas foram apontadas pelo Ministério da Saúde como homicídio, mas, em uma análise jurídica, Tubarão teve apenas um homicídio doloso naquele ano
SC tira de São Paulo um posto de doze anos
O desempenho de Tubarão se encaixa em um movimento maior. Pela primeira vez desde 2014, São Paulo perdeu a liderança nacional de menor letalidade. Santa Catarina fechou 2025 com 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes, contra 7,8 dos paulistas. O indicador catarinense vinha de 8,6 no ano anterior, uma queda de mais de 11% em doze meses.
O estado empenhou R$ 4,08 bilhões na função Segurança Pública em 2025, o equivalente a 7,2% do total de suas despesas, uma participação próxima à média dos anos anteriores.
No agregado nacional, o Brasil registrou pela primeira vez uma taxa de mortes violentas abaixo de 20, fechando em 19,1 por 100 mil habitantes, o menor patamar da série histórica do Fórum. Na outra ponta do ranking, o Amapá segue como o estado mais violento do país pelo segundo ano seguido, com 42,5, seguido por Bahia (36,8) e Ceará (34,7). As dez cidades mais violentas do país estão todas no Nordeste, metade delas na Bahia, e Maranguape, no Ceará, foi o único município brasileiro a superar a marca de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes.
O que sustenta o número
Tubarão é polo regional de saúde e educação no sul do estado, sede da Universidade do Sul de Santa Catarina, e concentra atividade econômica nos setores cerâmico, logístico e de turismo, este último puxado pelas águas termais da região. A cidade fica a cerca de 133 quilômetros de Florianópolis e é sede do 5º Batalhão de Polícia Militar, que atende a região.
Quando o município apareceu entre os mais seguros do país em levantamento anterior, o comando do 5º BPM atribuiu o resultado à articulação entre as forças de segurança e o poder público municipal, citando a atuação conjunta das polícias Civil e Militar e da Guarda Municipal.
O mesmo Anuário que coloca Tubarão em segundo lugar traz sinais de alerta no cenário nacional: as mortes cometidas por policiais no país cresceram 5% em 2025 e os registros de violência psicológica contra a mulher subiram 17%, com stalking em alta de 30%. O Brasil teve três tentativas de feminicídio para cada crime consumado ao longo do ano.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é publicado anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e reúne informações das secretarias estaduais de segurança, das polícias civis, militares e federal. A edição completa está disponível no site da entidade.























