Ainda era madrugada quando o barulho na casa do bairro Vila Alvorada quebrou o silêncio e quatro homens armados atravessaram a porta. Em segundos, o que era uma noite comum em Içara, no Sul de Santa Catarina, virou um cerco. Uma janela aberta, um homem pulando pra fora, duas mulheres deixadas pra trás sob a mira das armas. A partir dali, mãe e filha estavam sozinhas com os invasores.
O crime aconteceu na madrugada de terça-feira (21). Dentro do imóvel estavam uma mulher de 47 anos, a filha adolescente, de 17, e o pai dela. Quando os quatro homens entraram, ele conseguiu escapar por uma das janelas da residência e correu. Mãe e filha ficaram.
Rendidas, as duas foram obrigadas pelos criminosos a entrar no carro da própria família. O veículo que a mulher usava no dia a dia se transformou no transporte do sequestro. A quadrilha começou a deixar o terreno com as duas vítimas dentro do automóvel.
Foi nesse momento que um vizinho percebeu a movimentação estranha na rua e reagiu com disparos de arma de fogo. O que se seguiu foi um confronto em plena via pública, no meio da madrugada, com tiros trocados enquanto o carro com as reféns ainda estava no local.
Apesar dos disparos, os quatro homens conseguiram sair da rua levando mãe e filha no veículo.
Abandonadas a quatro quilômetros
O trajeto foi curto. A cerca de quatro quilômetros da residência, os criminosos pararam, abandonaram o carro e deixaram as duas vítimas para trás. A mulher e a adolescente foram encontradas em seguida e resgatadas sem ferimentos graves.
Para continuar a fuga, os suspeitos entraram em um segundo veículo, que dava apoio à quadrilha e aguardava o grupo. Com o apoio logístico pronto, os quatro deixaram a região antes que as equipes chegassem.
A estrutura da ação chama a atenção: entrada coordenada de quatro homens armados, uso do carro das próprias vítimas na saída e um veículo de suporte esperando o grupo para a fuga final. Não foi improviso de madrugada.
Perícia no local e três crimes na investigação
A Polícia Civil e a Polícia Científica estiveram na residência e realizaram a perícia e os levantamentos necessários no local, recolhendo vestígios que podem ajudar a identificar os envolvidos.
O caso é investigado como roubo, sequestro e cárcere privado, três tipificações que caminham juntas na apuração e que, somadas, elevam consideravelmente a pena em caso de condenação.
A pista do cobre
As primeiras informações indicam que o crime pode estar relacionado a um furto de cobre registrado dias antes na mesma propriedade. A linha de investigação sugere que a invasão não teria sido escolha aleatória de endereço, e sim retorno a um alvo já conhecido pelo grupo.
A possível motivação do sequestro, assim como a identidade e o paradeiro dos envolvidos, permanece sob investigação. Nenhum suspeito havia sido preso até a conclusão desta matéria, e a Polícia Civil segue apurando o caso.






















