Quem passou na frente de um canteiro de obras em Balneário Piçarras, no Litoral Norte de Santa Catarina, parou para tirar foto. No alto de um guindaste, balançando ao vento entre as colunas de concreto da estrutura em construção, estava pendurada uma caixa de ferramentas. A cena, registrada em vídeo que viralizou nas redes sociais nesta semana, virou retrato de um problema que vem afligindo trabalhadores da construção civil na cidade: a onda de furtos em canteiros de obra durante a madrugada.
A solução improvisada partiu dos próprios operários. Cansados de chegar pela manhã e encontrar o canteiro saqueado, eles passaram a prender as ferramentas em um guindaste no fim do expediente e içar tudo para o alto, fora do alcance de quem pula o tapume. A medida, segundo trabalhadores do setor que comentaram o vídeo, vem se tornando comum em obras da região e funciona como um cofre suspenso improvisado.
A iniciativa chamou atenção pela criatividade, mas também pela mensagem que carrega. Operários relataram nas redes sociais que furtos de equipamentos em canteiros de obra têm se intensificado nos últimos meses em Balneário Piçarras e cidades vizinhas. Marteletes, furadeiras, serras, geradores, caixas de ferramentas inteiras: tudo vira alvo. E o prejuízo pesa direto no bolso de quem precisa repor o equipamento para tocar o serviço no dia seguinte.
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A reação dos moradores ao vídeo escancarou o sentimento. Nos comentários da publicação que registrou a cena, a brincadeira veio acompanhada de queixa. “Sorte que não roubaram o guindaste”, ironizou um seguidor, em comentário que foi o mais curtido da publicação. “Vão levar o guindaste, não duvida não”, emendou outro. “De manhã o guindaste tá sem a bateria”, completou um terceiro. Entre o riso e a indignação, ficou a constatação: a cidade que se vende como o próximo destino turístico do litoral catarinense convive, no mesmo canteiro, com furto recorrente em obra ativa.
O problema não é exclusivo de Piçarras. Trabalhadores de outras cidades da região comentaram que a prática de pendurar ferramentas em guindaste já é vista em diferentes canteiros. “Isso é normal, várias construtoras fazem isso, não é de hoje”, explicou um seguidor. Em municípios como Penha e Itapema, segundo relatos nos comentários, situações parecidas têm levado empresas a contratar segurança particular noturna ou a recolher diariamente todo o material para depósitos fechados, o que atrasa o cronograma da obra.
A Polícia Militar de Santa Catarina mantém rondas regulares na região, com atuação do Pelotão de Pronta Resposta em ocorrências noturnas. A orientação para empresários do setor é registrar boletim de ocorrência a cada furto, mesmo de pequeno valor, para que a corporação consiga mapear pontos críticos e intensificar o policiamento ostensivo nos canteiros mais visados. Câmeras de segurança e alarmes também são recomendados.
Enquanto isso, em Balneário Piçarras, o guindaste segue na função dupla de equipamento de obra e cofre aéreo. No fim do expediente, sobe a caixa de ferramentas. De manhã, desce. E a obra continua, com a esperança de que, da próxima vez, ninguém tenha a ideia de mexer com o guindaste em si.
























