A conta chegou na Avenida Coleira. Oito anos depois de a Justiça do Paraná mandar prendê-lo, o homem tocava a vida em Tijucas como se o mandado nunca tivesse sido expedido, até a equipe do Tático do 31º Batalhão de Polícia Militar abordá-lo e a consulta devolver o que ele empurrava com a barriga desde 2018: condenação transitada em julgado por crime sexual, com ordem de recolhimento imediato ao regime fechado. Ele é o 34º foragido por crime sexual capturado pela PMSC no Vale do Rio Tijucas em 2026.
O preso é Frederico Romano Filho, de 58 anos, natural de Quatiguá, no Paraná. Contra ele havia mandado expedido pela Vara de Execuções Penais, Medidas Alternativas e Corregedoria dos Presídios de Curitiba, do Tribunal de Justiça do Paraná, lavrado em 26 de novembro de 2018. A pena a cumprir é de oito anos, um mês e quinze dias de reclusão, em regime fechado, por condenação enquadrada no artigo 214 do Código Penal, que trata de crime sexual.
O registro dele em sistemas oficiais aponta endereço no bairro Areias, em Tijucas. Não era alguém de passagem: tinha vida montada na cidade.
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Documentos que não eram dele
Durante a abordagem, os policiais militares encontraram quatro documentos diferentes na carteira do homem. Segundo apurado, parte deles estaria em nome de dois irmãos já falecidos, o que indica que ele estaria usando identidade de terceiros para circular sem levantar suspeita. A hipótese ajuda a explicar como um condenado com mandado ativo desde 2018 conseguiu se estabelecer a mais de 300 quilômetros de Curitiba sem ser localizado.
Um por mês, e mais
O número 34 não é um dado solto. Em 2026, a Polícia Militar transformou a caça a condenados por crime sexual em rotina no Vale do Rio Tijucas. Em fevereiro, a corporação já falava em “pegar todos”. Em março, chegou ao 17º em dois meses, com a promessa de “pegar um por um”. Em junho, a PM comemorou o 30º com a frase que virou marca da operação: “não vão se criar”. Cinco dias depois, veio o 31º. No fim do mês, o 32º, um homem que, segundo moradores, contava com um esquema de vigilância na vizinhança para escapar da prisão.
A sequência inclui casos que dão a dimensão do trabalho: um estuprador escondido embaixo da cama enquanto crianças gritavam, outro prestes a completar 80 anos, um condenado por violentar menina de 11 anos em Tijucas, foragidos vindos do Rio Grande do Sul, da Bahia, do Ceará e de Roraima que escolheram o Vale como esconderijo.
Por que eles vêm parar aqui
O padrão se repete a ponto de virar diagnóstico. Condenados de outros estados apostam que a distância da comarca de origem e uma cidade de porte médio no interior catarinense bastam para sumir do radar. O que não entra na conta é a integração entre as polícias e a rotina de consulta em abordagem: basta uma parada de rotina para o mandado antigo aparecer na tela.
Frederico Romano Filho foi conduzido para os procedimentos de praxe e ficou à disposição da Justiça do Paraná para o cumprimento da pena. Com a captura, a condenação que estava parada desde 2018 começa a ser executada.























