Um vídeo publicado nas redes sociais por um policial militar de Florianópolis gerou uma onda de críticas contra a Polícia Militar de Santa Catarina. As imagens mostram um PM acordando um homem em situação de rua que estava deitado em uma calçada da capital catarinense. O policial citou o Código de Posturas do Município de Florianópolis, que proíbe deitar em ruas, praças e logradouros públicos.
A publicação foi compartilhada por perfis de notícias e rapidamente acumulou comentários de internautas atacando a corporação. Entre as críticas, um internauta chamou a ação de “fascismo em SC”. Outro escreveu que o policial “não tem o que fazer”. Um terceiro comentou que, ao ver um policial ser baleado, “olhou e sorriu”.
Conforme o artigo 27 do Código de Posturas de Florianópolis, é proibido, sob qualquer pretexto, deitar nas ruas, praças, travessas ou logradouros públicos. A Prefeitura de Florianópolis disponibiliza estruturas de acolhimento como a Passarela da Cidadania e o Centro Pop para atendimento dessa população.
ASSISTA AO VÍDEO
A onda de ataques
Enquanto internautas atacavam os policiais militares por uma abordagem dentro da legalidade, a população de Florianópolis enfrenta diariamente consequências diretas do crescimento descontrolado da população em situação de rua na capital.
Segundo dados do CadÚnico, Florianópolis tinha mais de 2.287 pessoas em situação de rua registradas até julho de 2023, o maior número de Santa Catarina. Um levantamento da própria Prefeitura revelou que mais de 70% dessas pessoas são de outras cidades, atraídas pela estrutura de acolhimento oferecida pela capital.
Em 2025, a vice-prefeita e secretária de Segurança, Maryanne Mattos, afirmou publicamente que os agentes encontram cada vez mais pessoas em situação de rua portando armas, facas e fazendo uso de drogas. Segundo ela, essa população “está mais agressiva” e já provocou incêndios em vias públicas.
“No trabalho normal da Secretaria de Segurança Pública, em diversas ações, também identificamos pessoas com mandado de prisão em aberto, algumas delas vivendo em situação de rua. Somente em 2025, já encaminhamos para delegacia mais de 70 criminosos“, declarou Maryanne Mattos.
Crimes que a imprensa não chama de fascismo
O Jornal Razão acompanha de perto os desdobramentos da crise de segurança envolvendo pessoas em situação de rua em Florianópolis e na Grande Florianópolis. Em maio deste ano, um morador de rua ateou fogo e destruiu uma viatura da Guarda Municipal durante operação antidroga na Ponta do Coral. O suspeito foi preso em menos de 12 horas.
Na mesma capital, um morador de rua sob efeito de drogas realizou um “arrastão” em lojas do Centro, furtando produtos de diversos estabelecimentos na região da Praça XV e ainda tentando agredir uma atendente. Populares tiveram que imobilizá-lo no chão até a chegada da Guarda Municipal.
Em caso mais grave, um homem descrito por testemunhas como possivelmente em situação de rua matou um jovem a facadas em Florianópolis.
O Ministério Público de Santa Catarina reconheceu a gravidade da situação e criou uma força-tarefa chamada Cuidados Urbanos, focada especificamente na área tomada pelo uso de drogas no viaduto entre Florianópolis e São José, na Via Expressa. A força-tarefa envolve segurança pública, assistência social e saúde pública.
O outro lado da calçada
A Prefeitura de Florianópolis emitiu, somente em 2025, mais de 350 passagens para que pessoas em situação de rua retornassem às suas cidades de origem. O programa incluiu contato prévio com familiares e redes de apoio.
O movimento cívico Recuperar Floripa, que mobiliza moradores da capital, levantou 12 propostas para enfrentar o problema, incluindo tempo limite de permanência em albergues, campanhas contra a esmola e proibição de ferros-velhos em perímetro urbano, que, segundo o grupo, “acabam servindo como pontos de receptação de objetos furtados, alimentando pequenos crimes cometidos por moradores de rua”.
Enquanto a Polícia Militar de Santa Catarina é atacada nas redes sociais por acordar um homem que dormia em uma calçada, comerciantes do Centro de Florianópolis pedem mais policiamento, moradores relatam insegurança e a estrutura de acolhimento oferecida pela Prefeitura segue subutilizada por quem prefere permanecer nas ruas.
O caso segue repercutindo nas redes sociais.























