Quatro homens foram presos por suspeita de tráfico de drogas e associação para o tráfico em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, após uma operação da Polícia Militar de Santa Catarina que desarticulou um esquema estruturado de comercialização e entrega de entorpecentes com atuação também em Balneário Camboriú.

A investigação aponta que o grupo utilizava redes sociais para ostentar uma rotina de luxo e, paralelamente, operava um sistema de venda no modelo delivery, com uso de veículos e transferências bancárias para receber pagamentos.
As prisões ocorreram na noite de terça-feira, 27, em um edifício localizado na Rua 246, no bairro Meia Praia. A ação foi conduzida por equipes do 12º e do 31º Batalhão da Polícia Militar, com apoio da 1ª Companhia de Policiamento e Apoio Especializado e da Agência de Inteligência da corporação. Segundo a PMSC, os envolvidos já vinham sendo monitorados havia algum tempo, diante de informações que indicavam a prática reiterada do tráfico de drogas na região.

De acordo com a Polícia Militar, o grupo utilizava um veículo Honda HR-V vermelho para realizar as entregas de entorpecentes. O automóvel passou a ser acompanhado ainda em Balneário Camboriú, após a agência de inteligência identificar uma movimentação considerada suspeita. Naquele momento, uma possível entrega chegou a ser visualizada, mas não houve condições técnicas para abordagem sem comprometer a investigação em andamento.
O veículo seguiu pela BR-101 em direção a Itapema e entrou inicialmente em um edifício residencial. Em seguida, deslocou-se até outro prédio localizado na Rua 246, no bairro Meia Praia. Pouco depois, um dos ocupantes saiu do edifício carregando um objeto e se dirigiu até as proximidades da Terceira Avenida, onde realizou uma nova entrega de entorpecentes.

O comprador foi abordado logo após a transação. Com ele, os policiais encontraram skunk. Questionado, o homem confirmou a compra da droga e informou que o pagamento foi realizado por meio de transferência eletrônica via PIX.
Conforme a Polícia Militar, a chave utilizada para o recebimento do valor estaria vinculada a um dos investigados apontados como integrante do núcleo de comando do esquema de tráfico.
Após a entrega, o suspeito que realizava as transações retornou ao edifício. Ao perceber a aproximação das guarnições, ele tentou fugir utilizando uma bicicleta, mas foi alcançado e detido. Com o suspeito, os policiais encontraram entorpecentes já fracionados, embalados e identificados, prontos para a comercialização. Durante a abordagem, ele relatou que apenas fazia as entregas e indicou que o restante das drogas estava armazenado em uma cobertura do prédio.
Segundo o relato, na cobertura estariam os responsáveis pelo controle do esquema, identificados como P.D, conhecido como “Pix”, e E.M.C., conhecido como “Éco”, apontados como os “patrões” da operação. Diante dessas informações, as equipes da Polícia Militar realizaram buscas no imóvel indicado.

No local, os policiais encontraram os demais envolvidos, além de uma expressiva quantidade de drogas e diversos materiais comumente utilizados no tráfico. Entre os itens apreendidos estavam balanças de precisão, rolos de plástico filme, embalagens tipo zip lock e aparelhos celulares, que, segundo a investigação, eram utilizados para a organização das vendas e contato com compradores.

Ao todo, a Polícia Militar apreendeu aproximadamente 956 gramas de skunk, cerca de 378 gramas de crumble, 515 gramas de maconha do tipo ice, 264 gramas de maconha fracionadas, 607 comprimidos de ecstasy, 24 gramas de MDMA, micropontos de LSD, frascos de lança perfume, refis de óleo de THC e seis telefones celulares de diferentes marcas e modelos. A variedade e a quantidade dos entorpecentes foram consideradas relevantes para caracterizar a prática do tráfico e afastar a hipótese de uso pessoal.
Conforme consta nos autos do processo, durante os depoimentos colhidos após a prisão, Pietro Dalmaso, identificado como “Pix”, afirmou que atua como digital influencer. Ele declarou que sua renda mensal pode chegar a cerca de R$ 30 mil, mas que o valor varia de acordo com o mês, dependendo de campanhas publicitárias, parcerias e trabalhos pontuais na área digital. Ainda segundo informações oficiais, Pietro responde a um processo por estelionato no Rio Grande do Sul.
A Polícia Militar destacou que a ação foi resultado de trabalho prévio de inteligência, com monitoramento da movimentação dos investigados e identificação de padrões de entrega e pagamento, incluindo o uso de transferências via PIX para viabilizar o comércio de drogas. A investigação também apontou indícios de hierarquia dentro do grupo, com divisão de funções entre quem armazenava, quem gerenciava os pagamentos e quem realizava as entregas.
Diante dos elementos reunidos, a prisão em flagrante dos quatro suspeitos foi comunicada ao Poder Judiciário. A Justiça converteu as prisões em preventivas, considerando a quantidade e diversidade de entorpecentes apreendidos, o risco à ordem pública e os indícios de atuação organizada e reiterada no tráfico de drogas.
Todos os envolvidos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil, onde permanecem à disposição da Justiça e responderão pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo a Polícia Militar de Santa Catarina, a ocorrência reforça a importância da atuação integrada entre inteligência e policiamento ostensivo no enfrentamento ao tráfico de entorpecentes no Litoral Norte do estado.























