A enxada ainda escavava a terra quando Carlos Gesser contou o que precisava contar em voz alta: era o sexto boi que enterrava. No pasto da propriedade da família, no bairro Estradinhas, em Indaial, veterinários trabalhavam ao lado tentando salvar outros quatro animais que ainda estavam de pé, mas com a musculatura à mostra, a carne exposta pelas mordidas de dois pit bulls que ninguém viu sair e ninguém ainda assumiu ter. O som da pá batendo na terra era o barulho de um mês inteiro de ataques chegando ao fundo.
Tudo começou com cinco cabritos. Há cerca de 30 a 40 dias, os cães entraram pela primeira vez na propriedade e dizimaram o lote de cabritos que a família criava. Não havia câmera, não havia cerca alta o suficiente, e no dia seguinte não havia mais os animais. Depois que os cabritos acabaram, os pit bulls voltaram. Dessa vez, foram atrás do gado.
“Começou com eles matando cinco cabrito, isso uns trinta, quarenta dias atrás. Os cabrito acabaram, agora estão atacando os boi”, relatou Carlos Gesser. A dinâmica dos ataques, segundo ele, segue um padrão: os cães chegam de noite, quando a propriedade está mais vulnerável, e saem antes do amanhecer. A suspeita da família é de que os animais venham do bairro João Paulo II, uma área próxima à fazenda, atraídos pelo cheiro do rebanho.






















