A manhã desta segunda-feira (27) começou como outra qualquer no CEI Natureza, no bairro Cristo Redentor, em Criciúma. Uma mãe chegava para deixar o filho na creche quando, segundo relatou à Polícia Militar, presenciou uma cena que mudou o dia da unidade: uma professora teria dado dois pisões no pé esquerdo de um aluno de 4 anos. Horas depois, a professora Rosa Marlene Nunes estava presa em flagrante e demitida por justa causa.
De acordo com o relato da mãe aos policiais, ela teria chamado a atenção da professora na mesma hora. A profissional teria justificado dizendo que a criança estava ligando e desligando a luz do corredor. O menino, ainda conforme a testemunha, ficou sentado no chão, chorando. Abalada, ela pegou o próprio filho de volta e pediu ao marido que o levasse para casa antes de acionar as autoridades.
Versão da professora
Ouvida pela guarnição, Rosa Marlene Nunes apresentou outra versão. Ela teria contado que voltava do refeitório com os alunos em direção ao banheiro e, como havia duas turmas no corredor, encostou as crianças na parede. Nesse momento, o menino teria começado a mexer no interruptor. Ao caminhar em direção a ele para pedir que parasse, o aluno teria colocado o pé esquerdo à frente, e ela acabou pisando sobre ele uma única vez, sem intenção.
Ainda segundo essa versão, a professora teria se desculpado imediatamente e acalmado a criança, que logo estaria brincando de novo com os colegas.
As duas funcionárias que respondiam pela unidade no dia, já que a diretora estava de férias, informaram aos policiais que não presenciaram o momento. Uma delas estava na secretaria e afirmou que o fato teria ocorrido em um ponto cego; a outra ainda não havia chegado ao trabalho.
O menino também foi ouvido, com acompanhamento, mas não relatou nada sobre o ocorrido, respondendo apenas perguntas básicas, como o próprio nome e a idade. No momento da intervenção policial, não foram constatadas lesões aparentes na criança. Mesmo assim, diante do relato da testemunha, foi determinada a realização de exame de corpo de delito, para verificação técnica da existência ou não de lesões.
Como o contato com os pais do menino só foi possível cerca de uma hora depois, o Conselho Tutelar foi acionado e uma conselheira acompanhou toda a ocorrência. Ficou definido que ela conduziria a criança até a Polícia Científica para o exame. O pai chegou à creche quando a equipe já estava de saída, mas, como estava de motocicleta, a condução seguiu com a conselheira.
Presa e demitida
A Polícia Militar conduziu Rosa Marlene Nunes até a Central de Polícia. Lá, a prisão em flagrante foi mantida, e ela permanece detida na delegacia aguardando audiência de custódia. O caso, registrado como suspeita de maus-tratos e lesão corporal, será apurado pela Polícia Civil.
A creche possui câmeras de monitoramento, mas os responsáveis pela unidade informaram no momento da ocorrência que não tinham acesso imediato às imagens. A orientação foi para que o material fosse preservado, já que as gravações poderão confirmar ou afastar as versões apresentadas.
Foi justamente o vídeo que acelerou o desfecho na esfera trabalhista. Em nota oficial, a Associação Feminina de Assistência Social (AFASC), que administra a unidade, informou que adotou providências imediatas ainda pela manhã.
“A Direção da AFASC analisou as imagens do sistema de monitoramento e, imediatamente, encaminhou o processo de demissão por justa causa da profissional envolvida. A criança e seus familiares também receberam acolhimento e apoio da instituição”, diz a nota.
A entidade afirmou ainda que “não compactua com qualquer conduta que coloque em risco o bem-estar das crianças” e que “cuidado, proteção, segurança e respeito são princípios inegociáveis em todas as unidades da instituição”.
A investigação segue com a Polícia Civil de Criciúma, e o resultado do exame de corpo de delito deve integrar o inquérito. A audiência de custódia definirá se a professora seguirá presa.






















