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“Pequena Amanda”: mulher que fingia ser criança de 12 anos em SC ganhou até Mounjaro

Conforme a Polícia Civil, a mulher de 37 anos viveu mais de um ano como uma criança de 12 na casa de um casal em Joinville, que pagou comida, moradia e até o tratamento com Mounjaro. Ela confessou e está presa no Presídio Regional.

“Pequena Amanda”: mulher que fingia ser criança de 12 anos em SC ganhou até Mounjaro
Foto: Reprodução
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Durante mais de um ano, um casal de Joinville, no Norte de Santa Catarina, sustentou dentro da própria casa uma “filha” que dizia ter 12 anos. O casal pagou comida, moradia, uma festa de aniversário e até o tratamento com Mounjaro, medicamento injetável de alto custo. O que a família não sabia é que a “criança” era, na verdade, uma mulher de 37 anos.

A mulher é Amanda Maria Souza de Oliveira, a mesma presa em flagrante em Joinville nesta terça-feira (2) por se passar por uma adolescente, caso que o Jornal Razão revelou. Ela responde pelos crimes de estelionato e falsa identidade e está no Presídio Regional de Joinville.

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De padeira de 18 anos a “filha” de 12

Conforme o relato da família à polícia, tudo começou há cerca de um ano, quando a mulher se aproximou por intermédio de um pastor. Ela se apresentou como “Aline”, disse ter 18 anos e experiência em padaria, e pediu trabalho. Pouco depois, passou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras, e o casal a acolheu temporariamente.

Foi aí que a história mudou. Já com a confiança da família, “Aline” passou a dizer que tinha apenas 11 anos e que era vítima de abusos graves cometidos pelo padrasto. Sensibilizado, o casal permitiu que ela passasse a morar de vez na casa, no distrito de Pirabeiraba.

Mulher usava mamadeira e chupeta para sustentar o disfarce de criança em Joinville

Comida, casa, Mounjaro e festa de 12 anos

Durante todo o período, o casal arcou com os custos de subsistência da suposta criança: alimentação, moradia e medicamentos de alto custo, incluindo o Mounjaro, usado no tratamento de obesidade. A família chegou a comemorar o “aniversário de 12 anos” da jovem, acreditando piamente na vulnerabilidade dela.

Para sustentar a farsa, a mulher alegava falsamente ser autista, simulava crises e adotava comportamentos infantis. Usava mamadeira, chupeta e um “cheirinho” para dormir, afinava a voz e dizia ter medo do escuro. Mesmo com acesso a dinheiro em espécie guardado na residência, ela nunca subtraiu valores diretamente, concentrando o golpe em garantir abrigo e sustento como se fosse uma criança indefesa.

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A mesma mulher que chocou o país em 2023

Não era a primeira vez. Segundo a investigação, ela é reincidente e acumula antecedentes pelo mesmo golpe em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e no Rio de Janeiro. Foi no Rio, em 2023, que o caso ganhou repercussão nacional: na ocasião, ela se apresentou como uma menina de 12 anos, dizia ser vítima de abuso e de rituais de bruxaria e chegou a inserir mais de cem agulhas no próprio corpo para dar credibilidade à história, o que foi confirmado por exames de raio X.

Naquele caso, ela enganou uma ex-vereadora e um projeto social, que a acolheram e chegaram a alugar e mobiliar um imóvel para ela. Presa na época, foi solta no dia seguinte em audiência de custódia, com medidas cautelares.

“Eu fiz mamadeira pra ela, eu dava chupeta, eu fazia ela dormir, eu cantava musiquinha”, relatou, em 2023, a ex-vereadora que a acolheu.

Como a farsa caiu

A suspeita foi descoberta na última sexta-feira (29), depois que a denúncia de um parente levou a família a desconfiar. Ao pesquisar na internet, eles encontraram vídeos que mostravam a mesma mulher aplicando o golpe em outros lugares, sempre com o personagem de criança autista. O caso foi então levado à 6ª Delegacia de Polícia de Joinville.

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Em contato com polícias de outros estados, a Polícia Civil de Joinville confirmou as passagens anteriores e reuniu as provas necessárias para o flagrante.

Presa e confessou

A prisão em flagrante ocorreu nesta terça-feira (2). Durante o interrogatório, a mulher confessou integralmente a autoria dos crimes. Após os procedimentos de praxe, foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça, e responde por estelionato e falsa identidade. O delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pela investigação, classificou o caso como surreal. As circunstâncias seguem em apuração.

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