Era para ser só uma corrida até a UPA com um bebê doente. No caminho, dentro da viatura, a mulher começou a chorar e contou à Polícia Militar o que tinha escondido minutos antes, na porta de casa, quando negou ter apanhado mesmo com o nariz machucado: dizia ter medo de ser morta pelo companheiro, e revelou que ele guardava drogas debaixo do guarda-roupa.
A cena começou no bairro Boa Vista, em Biguaçu, na noite de 22 de junho. A guarnição do 24º Batalhão da Polícia Militar de Santa Catarina foi acionada para uma suposta ocorrência de violência doméstica. Ao chegar, encontrou a casa fechada e em silêncio. O casal atendeu os policiais, e a mulher, num primeiro momento, negou as agressões.
Foi durante o deslocamento até a unidade de saúde que a versão mudou. Segundo a PMSC, a mulher relatou de forma espontânea que o companheiro seria integrante da facção criminosa PGC e que temia pela própria vida. Disse ter sido agredida com socos, chutes e golpes de cabo de vassoura, e ainda ameaçada de ser queimada viva junto com o filho, com o uso de um litro de álcool.
A mulher contou também que o companheiro traficava drogas e que havia entorpecentes escondidos sob o guarda-roupa da residência. Ela entregou a chave do imóvel e autorizou a entrada da guarnição.
Com o apoio de outra viatura e do Oficial de Dia, os policiais voltaram à casa. Sob o guarda-roupa indicado, encontraram um tablete de substância análoga à maconha, certa quantidade de substância análoga à cocaína, uma balança de precisão, uma calculadora, dois celulares e R$ 145 fracionados em várias cédulas.
No mesmo ponto, a guarnição localizou um caderno com anotações ligadas ao tráfico, uma faca usada para fracionar a droga e papel filme para embalar o material.
Já na delegacia, a mulher reafirmou que havia sido agredida durante a discussão dentro de casa, com socos e chutes. Relatou ainda que o autor a teria ameaçado de morte, dizendo que, caso a polícia fosse acionada, mataria ela e a criança ateando fogo nos dois.
Diante da materialidade e dos relatos, ficaram caracterizados, em tese, os crimes de tráfico de drogas, lesão corporal no contexto de violência doméstica e ameaça. O autor e a mulher foram conduzidos, junto com o material apreendido, à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos cabíveis. O caso segue sob investigação.























