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“Ele é uma boa pessoa”: mulher mata namorado em Joinville meses após confessar tê-lo agredido

Em março, a autora defendeu o companheiro à PM e disse que ele "é uma boa pessoa". Neste sábado, no Morro do Meio, ela o matou a facadas. A vítima foi encontrada com marcas de agressão pelo rosto.

“Ele é uma boa pessoa”: mulher mata namorado em Joinville meses após confessar tê-lo agredido
Foto: Reprodução
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Em março deste ano, chamada pela Polícia Militar depois de uma briga em casa, Camila Fernandes de Andrade fez questão de defender o namorado. Disse que tinha partido para cima dele, que ele só a empurrou para se proteger e que não queria dar queixa. “Ele é uma boa pessoa, não desejo representar contra ele”, declarou aos policiais na ocasião. Cinco meses depois, foi ela quem cravou uma faca no peito de Thomas Mota de Souza.

O desfecho veio na manhã deste sábado (18), no Morro do Meio, em Joinville. Por volta das 8h42, dentro da casa onde o casal vivia, uma nova discussão terminou com o homem de 41 anos, natural do Amazonas, morto a golpes de faca. Quando o socorro chegou, Thomas foi encontrado com o rosto marcado por agressões, ferimentos que se somaram ao golpe fatal no tórax.

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Segundo o relato da própria autora à Polícia Militar, os dois tinham passado a madrugada bebendo e usando drogas quando começaram a brigar por ciúmes. Ela decidiu ir embora e separava seus pertences quando, de acordo com a versão que apresentou, o namorado escondeu o celular dela. Ao cobrar o aparelho de volta, ficou exaltada, e afirma que ele teria avançado, segurado seu pescoço e a enforcado, deixando-a sem ar. Foi então que pegou uma faca de cozinha e o golpeou.

A arma tinha 33 centímetros no total, 20 deles de lâmina. O primeiro corte atingiu o supercílio esquerdo. O segundo, mais grave, perfurou o tórax do lado esquerdo. Mesmo ferido, Thomas ainda saiu de casa em busca de socorro e caminhou cerca de 30 metros até a rua, onde arrancou a faca que continuava cravada no peito antes de cair no chão.

Socorro e prisão

O SAMU chegou e levou a vítima para a ambulância para as manobras de reanimação, mas a equipe médica constatou o óbito ainda no local. Enquanto isso, os policiais precisaram conter a aglomeração de curiosos que se formava nas imediações e isolar a área até a chegada da perícia. A faca foi recolhida pela Polícia Científica.

A autora, de 28 anos, natural de Santa Catarina, apresentou-se espontaneamente aos policiais quando a PM chegou, identificou-se como companheira da vítima e contou a própria versão. Recebeu voz de prisão e foi conduzida à Central de Plantão Policial. Ela tem passagens por vias de fato, lesão corporal e posse de drogas. Thomas também tinha registro por vias de fato.

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Cinco meses antes

Mas foi a ocorrência de março que deu a esta manhã um peso diferente. Naquele dia, os vizinhos acionaram a PM depois de ouvir a gritaria vinda da casa. A guarnição conversou primeiro com Camila, que minimizou tudo e assumiu ter começado a confusão:

“Eu e o Thomas tivemos uma discussão, houve gritos, eu fui pra cima dele para dar um tapa, ele para se defender me empurrou. Ele é uma boa pessoa, não desejo representar contra ele, vamos nos separar e eu vou embora.”

Thomas confirmou a mesma versão aos policiais, falando em uma discussão em voz alta e um empurrão para se defender. Camila garantiu que se sentia segura, recusou ir à delegacia e disse que ia pegar suas coisas, se separar e ir embora. Não foi. A mesma relação que ela descreveu como segura em março terminou, cinco meses depois, na cena de um homicídio.

O caso foi registrado como homicídio doloso e a investigação segue a cargo da Polícia Civil.

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