O motorista da funerária tinha ido até a kitnet só para avisar uma família. No dia anterior, ele havia recolhido o corpo de um homem atropelado na BR-101, em Palhoça, e encontrado junto ao corpo um papel com um endereço escrito. Achou que era a casa dos parentes. Bateu, viu que a porta estava destrancada, empurrou. Do lado de dentro, sinais de violência espalhados pelo cômodo e uma adolescente caída no chão, sem sinais de vida.
Foi assim que a Polícia Militar tomou conhecimento de um feminicídio em Palhoça no dia 26 de julho. Por volta das 11h, a Central de Operações acionou a guarnição para uma residência no bairro Caminho Novo, na Grande Florianópolis, sob a informação de possível violência doméstica. A vítima tinha 14 anos, era natural de Tubarão, no Sul do estado, e não tinha qualquer registro policial. Havia sinais de violência no corpo dela e no interior do imóvel.
O acidente do dia anterior
A sequência que levou ao corpo começou um dia antes, na pista. Segundo a Polícia Militar, Thiago Sousa Almeida, de 25 anos, natural de Buriticupu, no Maranhão, morreu atropelado por um ônibus na BR-101, na altura da Praça da Bandeira, em Palhoça. O funcionário da funerária que atendeu a ocorrência recolheu o corpo e guardou o papel encontrado com ele, imaginando que ali estava o contato da família do homem que acabara de morrer.
No dia seguinte, ele foi até o endereço anotado. Não havia parente algum para avisar. Havia uma cena de crime.
O homem acionou a Polícia Militar imediatamente e permaneceu no local até a chegada da guarnição, que isolou a área para preservar os vestígios. Thiago Sousa Almeida não foi encontrado no imóvel. Ele já estava morto havia mais de vinte e quatro horas, na ocorrência da rodovia.
A família procurava desde a véspera
Enquanto a perícia trabalhava, o padrasto da adolescente chegou ao endereço. Ele contou aos policiais que a enteada não havia voltado para dormir em casa na noite anterior. A mãe da menina tinha o contato de Thiago, e a adolescente costumava ir até a casa dele. A família tentou falar com ele durante todo o dia anterior e também naquela manhã, sem resposta. Ninguém em casa sabia dizer se os dois mantinham um relacionamento.
Do lado da polícia, a informação registrada é de que a vítima e o suspeito estavam em um relacionamento.
A Polícia Científica esteve no local para realizar a perícia, e a Polícia Civil assumiu os procedimentos investigativos. Testemunhas presentes foram identificadas e prestaram as primeiras informações sobre os fatos, que passaram a integrar a apuração.
Diante dos elementos iniciais, o caso foi registrado, em tese, como feminicídio, com autoria identificada. A investigação segue a cargo da autoridade policial competente, que deve concluir a materialidade e a dinâmica do crime a partir dos laudos periciais.
Como o único suspeito morreu antes de a polícia chegar à cena, o caso caminha para um desfecho sem julgamento. A responsabilização criminal se extingue com a morte do autor, mas a apuração continua para estabelecer o que aconteceu dentro daquela kitnet e em que momento.
Nenhuma outra pessoa foi apontada até agora como envolvida.






















