A notícia correu rápido e deixou Xanxerê, no Extremo Oeste de Santa Catarina, em luto nesta segunda-feira (20). O médico Carlos Alberto de Oliveira Velasco, que atuava na rede municipal de saúde e era conhecido pelo cuidado com cada paciente, foi encontrado morto dentro da casa onde morava, no bairro Matinho. A perda provocou comoção entre moradores, colegas de profissão e servidores públicos, e levou a UBS onde ele atendia a suspender os atendimentos ao longo do dia.
Segundo a Polícia Civil, foi a ausência do médico no trabalho que chamou a atenção de um colega. Ele foi até a residência e, com apoio da Polícia Militar, verificou um cômodo nos fundos da casa que estava trancado. No local, havia uma escada encostada na lateral do imóvel, dando acesso ao telhado, e parte da cobertura estava quebrada. Ao acessarem o espaço, encontraram o médico caído no chão, já sem sinais vitais.
A Polícia Científica periciou o imóvel e, de forma preliminar, não foram constatados indícios de crime. As circunstâncias apontam que o médico possivelmente teria subido ao telhado para fazer reparos quando a estrutura cedeu, provocando uma queda de cerca de três metros. Ainda assim, a causa da morte depende do laudo definitivo. O caso foi registrado como morte acidental e será investigado pela Delegacia de Polícia Civil de Xanxerê, com inquérito previsto para ser concluído em até 30 dias.
Um nome querido no bairro
Enquanto a polícia apura, a cidade se despede de um nome que virou parte da rotina do bairro. Formado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Carlos Alberto Velasco era natural de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, e havia feito da atenção básica o centro da sua carreira. Além de atuar na rede pública de Xanxerê, também trabalhava na empresa Ciclo, de Medicina do Trabalho. Entre pacientes e colegas, o nome dele estava ligado a uma palavra que se repetiu em dezenas de homenagens: acolhimento.
Nas redes sociais, a despedida ganhou o tom de quem perde alguém próximo. Pacientes relembraram consultas, colegas destacaram a ética e a dedicação, e amigos falaram de um vazio difícil de preencher. “Um médico muito bom que fazia a diferença na nossa Unidade Básica do Vila Sésamo”, escreveu uma moradora, que classificou o profissional como parceiro da escola do bairro.
Uma das lembranças mais comentadas foi a de um paciente que reproduziu um diálogo curto com o médico. Depois de uma consulta, disse a ele que nunca deixasse o posto da Vila Sésamo. A resposta veio simples: “Até eles me deixarem”. Na hora, segundo o próprio paciente, nenhum dos dois entendeu bem o peso daquela frase.
Entre colegas de profissão, o luto se misturou ao reconhecimento. “Uma perda irreparável. Estamos todos consternados com sua partida”, escreveu um deles. Outro relembrou o tempo de trabalho ao lado do médico: “Muito triste. Trabalhei com ele, um ótimo colega e um ótimo profissional”. As mensagens destacaram a generosidade e a humanidade de alguém que, segundo os relatos, acolhia a todos com um sorriso.
Em nota oficial, a Prefeitura de Xanxerê lamentou o falecimento do profissional e prestou solidariedade a familiares, amigos e colegas de trabalho. Os pacientes que precisaram de atendimento na UBS nesta segunda-feira foram orientados a procurar outra unidade da rede municipal. O corpo será trasladado para Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde vivem os familiares e ocorrerão os atos fúnebres.






















