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Mansões são alvejadas durante festa infantil em condomínio de Camboriú e moradores cobram explicações

Disparos foram ouvidos durante festas no Condomínio Caledônia, uma delas infantil; projéteis foram encontrados em pelo menos duas residências e moradores relatam falhas recorrentes de segurança

Mansões são alvejadas durante festa infantil em condomínio de Camboriú e moradores cobram explicações
Foto: Reprodução
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Uma sequência de disparos de arma de fogo transformou em pânico a tarde de sábado no Condomínio Caledônia, em Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. Os tiros foram ouvidos enquanto pelo menos duas festas aconteciam ao mesmo tempo dentro do residencial, uma delas uma comemoração de aniversário infantil, com várias crianças brincando na rua. Horas depois, projéteis foram encontrados em ao menos duas residências, e a ocorrência foi registrada.

A Polícia Militar de Santa Catarina foi acionada e esteve no local. Até a última atualização, não havia confirmação oficial sobre a autoria nem sobre a origem dos disparos, que seguem sob apuração. O caso ganhou repercussão depois que moradores passaram a relatar publicamente o que viveram e a cobrar explicações sobre a segurança no condomínio, em uma região conhecida por concentrar empreendimentos de alto padrão que vendem tranquilidade e exclusividade como principal atrativo.

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Tiros durante o “parabéns”

Segundo o relato de um morador, os disparos vieram em sequência e em diferentes intensidades. Ele descreve ter ouvido uma rajada, seguida de uma pausa e de novos tiros, no que interpretou como mais de uma arma ou uma troca de armamento. No momento em que os disparos foram ouvidos, conforme o relato, mais de 50 pessoas circulavam pela área entre as duas festas, somando adultos e crianças.

O morador afirma que, a princípio, não associou os sons a tiros, por causa da extensa área de mata no entorno do residencial, e que chegou a imaginar outra origem para o barulho. A preocupação aumentou no fim do dia, quando ele soube que um projétil havia sido encontrado em uma das casas, em direção ao ponto onde as comemorações aconteciam. A partir daí, diz, procurou a administração para entender o que havia acontecido e cobrar um posicionamento.

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Ele relata ter ido até a residência da síndica e, depois, à área de lazer do condomínio, em busca de alguém que pudesse explicar a situação. Segundo o morador, não obteve uma resposta que considerasse satisfatória sobre a origem dos tiros nem sobre quantas casas haviam sido atingidas, o que aumentou sua indignação diante do risco a que avalia ter sido exposto junto da família.

Outra moradora confirma o susto

Uma segunda moradora deu um relato semelhante. Ela conta que passou o dia em casa e que, ao retornar de um almoço dentro do próprio condomínio, no fim da tarde, percebeu uma agitação fora do comum, com os cães latindo de forma intensa. Ainda no fim da tarde, afirma, chegou a comunicar a portaria sobre barulhos fortes que ouvia na região, antes mesmo de saber da gravidade do que havia ocorrido.

A moradora descreve a sensação de insegurança ao perceber que o episódio acontecia a poucos metros de casa, em uma área onde circulava com a família no dia a dia. Ela afirma que o caso reforçou um receio que já vinha acumulando sobre a estrutura de segurança do residencial.

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Segunda casa atingida

De acordo com essa moradora, por volta do início da noite os moradores foram informados, por mensagem, de que um projétil havia sido localizado em uma garagem. Horas mais tarde, um segundo projétil teria sido encontrado na casa vizinha, à altura de uma porta, perfurando a estrutura, em uma posição que, segundo ela, corresponderia à altura de uma pessoa.

Os disparos foram na hora em que estavam cantando parabéns.

A moradora relata que, diante do susto, recorreu a quem cuida de sua segurança particular e que cada residência mantém o próprio sistema de câmeras e alarme. Ela questiona, no entanto, a ausência de um monitoramento mais amplo dentro do condomínio que permitisse reconstituir o trajeto dos disparos e identificar de onde teriam partido. Moradores também passaram a questionar a hipótese, levantada nos grupos, de que os tiros teriam vindo de fora do residencial.

Moradores cobram a administração

Os dois relatos convergem em um ponto central: o de que os moradores não receberam, até o momento, um esclarecimento formal da administração sobre a origem dos disparos e sobre as casas atingidas. A segunda moradora afirma que houve orientação para não comentar o caso nos grupos, com a justificativa de não alarmar pessoas de fora do condomínio, o que, segundo ela, aumentou a indignação de quem vive no local.

Ambos descrevem um sentimento parecido, o de terem buscado no residencial justamente a segurança, a tranquilidade e a privacidade que motivaram o investimento em uma casa, e de se sentirem expostos diante do episódio. Para os moradores, o ponto mais grave é a coincidência entre o horário dos disparos e o momento em que crianças estavam na rua, durante a festa. Um dos moradores afirmou que pretende manter o assunto público até obter respostas.

“Bala não faz curva”

A insegurança se intensificou justamente pela dúvida sobre a origem dos tiros. Nos relatos, os moradores rejeitam explicações apressadas e cobram que a apuração seja conduzida com base em evidências, e não em suposições levantadas nos grupos de mensagens. A posição dos projéteis nas residências, segundo eles, deveria orientar a investigação sobre a trajetória dos disparos, algo que caberá à perícia esclarecer.

Um dos moradores resumiu o sentimento de exposição ao falar sobre a responsabilidade de quem detinha informações sobre o ocorrido e, na avaliação dele, demorou a repassá-las.

Quando o silêncio coloca vidas em risco, ele também vira responsabilidade.

Falhas que se repetem

Para os moradores, o episódio dos disparos não é um fato isolado. Eles relatam que o condomínio já enfrentou outras falhas de segurança, entre elas um furto ocorrido em uma das residências. Segundo o relato, dois homens teriam pulado o muro do residencial durante a madrugada, com o apoio de uma escada de madeira apoiada na parte externa, e permanecido cerca de uma hora dentro de uma casa antes de saírem com malas e mochilas pelo mesmo ponto por onde entraram.

Os moradores afirmam que o condomínio conta com sensores de presença instalados nos muros, mas que o sistema não estaria funcionando no dia do furto. De acordo com o relato, há imagens que registram o momento em que os dois homens pulam o muro e entram na residência. Até hoje, segundo os moradores, os autores não foram identificados, e não teria havido um esclarecimento público da administração também sobre esse caso. Os proprietários teriam arcado com o prejuízo.

O que diz a investigação

A reportagem busca contato com a administração do Condomínio Caledônia para apresentar sua versão sobre o caso e esclarecer como os moradores foram comunicados sobre os disparos e os projéteis encontrados. O espaço segue aberto para manifestação.

A Polícia Militar apura as circunstâncias dos disparos, e a investigação deve seguir com a Polícia Civil para apurar a autoria e a origem dos tiros, com base nos projéteis localizados nas residências, que podem passar por perícia. Até a última atualização, não havia confirmação oficial sobre quem efetuou os disparos nem sobre o ponto de onde partiram. O Jornal Razão acompanha o caso e atualizará a reportagem assim que houver novas informações.

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