A versão sempre foi a mesma: uma queda no banho. Mas a Polícia Civil agiu na direção contrária. Na tarde desta quarta-feira (24), a mãe biológica de um menino de dois anos e seis meses e o padrasto da criança foram presos, suspeitos de maus-tratos e do homicídio do garoto, morador de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí.
Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Ibirama e cumpridos por equipes das delegacias de José Boiteux e Ibirama. O padrasto, identificado pelas iniciais D.Z.L., de 29 anos, natural de José Boiteux, foi preso na aldeia indígena Sede, no próprio município. Já a mãe, F.K.S.F.S., de 21 anos, natural de Canguaretama, no Rio Grande do Norte, foi presa na cidade vizinha de Presidente Getúlio.
Além das prisões, a Justiça determinou mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos os celulares dos dois presos e também o de um terceiro indígena, morador da mesma residência onde o padrasto foi detido. Os aparelhos devem passar por perícia no curso da investigação. Por se tratar de população indígena, a Funai foi comunicada sobre o cumprimento dos mandados.
O menino morreu no dia 19, na UTI Pediátrica do Hospital Jaraguá, em Jaraguá do Sul, depois de oito dias internado com sinais que indicavam agressão. Entre as causas apontadas para a morte estavam traumatismo cranioencefálico por ação contundente, fratura no osso occipital e hematomas pelo corpo.
Relembre o caso
A história começou no dia 11 de junho, quando a criança deu entrada no Hospital Doutor Waldomiro Colautti, em Ibirama. Diante da gravidade do quadro, foi transferida para um hospital de Blumenau e, em seguida, encaminhada à UTI Pediátrica de Jaraguá do Sul por necessidade de vaga.
Ainda no primeiro atendimento, em Ibirama, o estado da criança chamou a atenção da equipe médica, que acionou a Polícia Militar. A partir daí, o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil. Nos hospitais por onde passou, os profissionais constataram um conjunto de lesões difícil de explicar por um simples acidente doméstico, incluindo fratura no crânio, lesão cerebral e comprometimento da função hepática. Parte das lesões cerebrais, segundo o laudo, aparentava ser antiga.
Investigação sob sigilo
As apurações correm por meio de inquérito policial em tramitação na Delegacia de Polícia de José Boiteux, em segredo de justiça. Com as prisões, a investigação avança para esclarecer em definitivo as circunstâncias que levaram à morte do menino.
O Jornal Razão acompanhou o caso desde os primeiros dias, quando a criança ainda lutava pela vida na UTI e a falta de repercussão em torno da história começava a ser questionada nas redes sociais. A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias da morte.






















