O jovem que morreu esfaqueado na porta de um bar no bairro Santa Bárbara, em Criciúma, não era uma vítima qualquer daquela madrugada. Era o autor da violência que tomou conta da Avenida Centenário minutos antes. A conclusão é da Polícia Civil, que reconstruiu a sequência de ataques do dia 8 de julho e chegou a um desfecho que inverte por completo a leitura inicial do caso.
Segundo a Delegacia de Homicídios do Departamento de Investigações Criminais (DIC), Denis Daboit dos Santos, de 22 anos, encontrado morto na via pública, era o responsável por uma tentativa de latrocínio cometida instantes antes, nas proximidades do Posto Cidade. As investigações apontaram que as duas ocorrências registradas naquela madrugada, tratadas de início como fatos separados, estavam diretamente ligadas.
A primeira vítima foi um homem ferido por dois golpes de faca na região do tórax. Conforme a apuração, ele conseguiu pedir socorro a uma guarnição da Polícia Militar que passava pelo local e foi atendido. A análise das imagens de monitoramento flagrou Denis perseguindo essa vítima pela Avenida Centenário e desferindo as facadas. Ele só interrompeu o ataque quando avistou a aproximação da viatura e fugiu correndo pela avenida.
Fuga vira novo ataque
Foi durante essa fuga que a história ganhou o segundo capítulo. Denis abordou um terceiro homem, sem qualquer relação com o crime anterior. De acordo com a Polícia Civil, tanto o autor quanto esse terceiro envolvido estavam em situação de rua, e o segundo também era usuário de drogas. O que era fuga virou novo ataque.
As imagens mostram Denis partindo para cima dessa nova vítima, que reagiu e conseguiu desarmá-lo. Mesmo sem a faca, ele não parou e seguiu com as agressões físicas. Foi nesse momento que o terceiro homem usou a própria arma branca para se defender e desferiu um único golpe na região da cintura e da coxa do agressor. Ferido, Denis caiu na via pública e ainda tentou buscar ajuda antes de morrer.
O golpe atingiu a artéria femoral, o principal vaso da perna, uma lesão que provoca hemorragia intensa e rápida. Mesmo assim, Denis conseguiu caminhar cerca de 150 metros pela avenida até chegar cambaleante à porta de um bar já fechado, onde disse que ia morrer e caiu na entrada. O SAMU foi acionado, mas ele não resistiu.
Legítima defesa reconhecida
Depois de analisar as imagens das câmeras de segurança, ouvir testemunhas e reunir os demais elementos de prova, a Polícia Civil concluiu que a reação do terceiro envolvido aconteceu em legítima defesa. Por isso, ele não será indiciado pelo homicídio.
Em relação à tentativa de latrocínio, o procedimento também será encaminhado ao Poder Judiciário sem indiciamento, já que a morte do investigado extingue a punibilidade. Com o fim das diligências, a Polícia Civil considera o caso totalmente esclarecido.






















