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“Não fiz nada”: jovem inocentado no caso do cão Orelha fala pela primeira vez após ser chamado de assassino em SC

Após cinco meses sendo acusado nas redes sociais, jovem investigado e depois inocentado pela Justiça relata perseguição online. O Ministério Público pediu o arquivamento do caso em maio.

“Não fiz nada”: jovem inocentado no caso do cão Orelha fala pela primeira vez após ser chamado de assassino em SC
Foto: Reprodução
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Foram cinco meses ouvindo de milhares de desconhecidos que era um assassino. Nesta quinta-feira (25), o jovem investigado no caso da morte do cão comunitário Orelha decidiu romper o silêncio que manteve desde o início das acusações, em um vídeo publicado nas redes sociais.

Aos 18 anos recém-completados, ele afirma que escolheu não se manifestar enquanto o processo corria sob sigilo, a pedido das autoridades. “Até aqui, eu e minha família ficamos em silêncio. Muitas pessoas viram esse silêncio como forma de culpa. Porém, só estava respeitando o processo que foi pedido pelas autoridades que ficassem em sigilo”, declarou.

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O caso ganhou repercussão nacional em janeiro deste ano, quando Orelha, cão comunitário conhecido na Praia Brava, em Florianópolis, foi encontrado machucado e acabou morrendo. O jovem e outros três adolescentes chegaram a ser apontados como suspeitos de participação na morte do animal.

ASSISTA AO VÍDEO

Enquanto permaneceu calado, porém, viu a própria imagem circular sem controle. Ele relata que a foto se espalhou pela internet e que o nome era compartilhado em grupos de WhatsApp, acompanhado de julgamentos feitos por quem nunca o conheceu nem ouviu a sua versão dos fatos.

Justiça arquivou o caso

A investigação, no entanto, seguiu caminho oposto ao do tribunal das redes sociais. Em maio, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu o arquivamento total do caso, e a Justiça catarinense acatou o entendimento. Para o MPSC, as provas apresentadas pela Polícia Civil não seriam suficientes para confirmar o envolvimento do jovem na morte do cão.

A perícia reforçou essa conclusão. Após a morte, exames identificaram uma infecção óssea grave na região maxilar esquerda do animal. O Ministério Público concluiu que os elementos técnicos apontavam para um quadro clínico preexistente, e não para agressões recentes.

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Mesmo com o arquivamento e a comprovação de que nada fez, o jovem afirma que a perseguição não cessou. “Mas mesmo depois das autoridades terem analisado tudo, da justiça ter arquivado o processo e ficado provado que eu não fiz nada, muitas pessoas seguem me chamando de assassino”, desabafou.

“Condenado por boatos”

Ele lamentou ainda que, durante o período de silêncio imposto pelo sigilo, fotos suas e de outros adolescentes tenham vazado e que julgamentos tenham sido proferidos sem que ninguém conhecesse a sua versão. Segundo o jovem, o período foi difícil e ele jamais faria algo parecido com o que lhe foi atribuído.

No vídeo, ele questiona como alguém pode ser condenado apenas por boatos das redes sociais, sem que as pessoas conheçam de fato o que aconteceu. Diz que decidiu falar agora porque, depois de cinco meses sendo alvo de comentários, chegou a sua vez de apresentar a própria versão.

Por fim, o jovem afirmou não temer uma eventual Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso. “Eu sempre quis que todos soubessem a verdade. Por isso, não me importo com CPI. Só vai mostrar mais uma vez pra todo mundo a minha inocência”, concluiu.

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