Um motorista de aplicativo de 69 anos foi encontrado morto, com as mãos amarradas e uma corda no pescoço, em uma área isolada da Linha Simonetto, no interior de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. O crime mobilizou forças de segurança de dois estados e terminou com dois homens presos no Paraná, na posse do carro que a vítima usava para trabalhar.
Conforme a Polícia Civil, a vítima foi identificada como Alvicio Epp, conhecido na comunidade como Carijó. Natural de Dionísio Cerqueira, ele morava no bairro Líder, em Chapecó, e fazia transporte por aplicativo com um Toyota Etios branco. Os dois homens detidos foram identificados como Andrey Patryck Carvalho Fidelis, de 22 anos, natural de Blumenau, e Vanderlei Fernandes Correa, de 27 anos, natural de Catanduvas, no Paraná.
A última corrida
Segundo apurado pela equipe do Jornal Razão, Alvicio saiu de casa na tarde de segunda-feira, por volta das 15h, para iniciar as corridas pela cidade. Antes, despediu-se da família. O combinado era voltar até as 19h. Ele não retornou e não deu mais notícias.
Sem respostas, os familiares procuraram a polícia ainda na segunda-feira e registraram um boletim de ocorrência de desaparecimento. Foi a partir desse registro que as buscas começaram.
O rastro da câmera
Uma imagem obtida com exclusividade pela nossa equipe se tornou peça-chave da investigação. Às 16h21 de segunda-feira, o Toyota Etios usado pelo trabalhador é flagrado passando rapidamente por uma câmera de monitoramento do contorno viário do extremo oeste, em Chapecó, e entrando na Linha Simonetto. Foi exatamente naquele ponto isolado que o corpo seria encontrado no dia seguinte.
O encontro do corpo
Na manhã de terça-feira, um morador caminhava pela comunidade quando notou papéis e documentos espalhados ao lado de uma escola da localidade. Ao se aproximar, percebeu que havia um corpo escondido sob a tampa de uma caixa d’água.
Eu estava passando, vi uma papelada diferente, tive que dar uma olhada, relatou o morador, que disse ter feito o mesmo trajeto no dia anterior sem notar qualquer alteração no local.
Após o aviso, a Polícia Militar isolou a área até a chegada das equipes especializadas.
O que diz a perícia
No local, a Polícia Civil acionou a Polícia Científica e o Instituto Médico Legal. Conforme o levantamento pericial, a vítima estava com os punhos amarrados e apresentava um ferimento atrás da cabeça. A linha de trabalho aponta que a morte ocorreu por asfixia mecânica, por constrição cervical provocada por um cordão amarrado ao pescoço. A polícia ainda apura se Alvicio foi morto no próprio local onde foi achado ou se o corpo foi deixado ali depois do crime.
A perseguição até o Paraná
Enquanto a vítima era procurada, o Etios branco, de placas RAC9827, cruzava o Oeste catarinense. Cerca de quatro horas depois de passar pela câmera de Chapecó, o veículo foi visto em São Lourenço do Oeste. Já por volta das 2h da madrugada de terça, foi flagrado em Cascavel, no Paraná.
Quando o dia amanheceu, o cerco se fechou. O sistema de monitoramento alertou a Guarda Municipal de Cascavel, que localizou o carro. Teve início então uma perseguição por terra e por ar, com apoio de helicóptero.

Durante a abordagem houve confronto e troca de tiros. O veículo foi alvejado e um dos suspeitos acabou ferido, sendo encaminhado ao hospital. O segundo tentou fugir por uma plantação de milho, mas foi capturado com o apoio aéreo. Um terceiro envolvido conseguiu escapar e segue sendo procurado.
A versão dos presos
Segundo relataram os dois homens detidos, eles teriam deixado a vítima ainda com vida em algum ponto entre Chapecó e Pinhalzinho. A versão é investigada e não foi confirmada pela polícia.
Conforme o levantamento policial, um dos presos acumula extensa ficha criminal, com mais de 20 passagens por crimes como roubo e tráfico de drogas. O outro também possui antecedentes.
As investigações
Os dois homens foram apresentados na delegacia. O enteado da vítima foi comunicado por telefone e acompanhou os trâmites para a liberação do corpo junto ao IML.
Até a última atualização, a Polícia Civil seguia ouvindo os presos e reconstituindo a dinâmica do crime, incluindo o momento e o local exatos da morte. As buscas pelo terceiro envolvido continuam.
























