Ele estava ajoelhado na calçada, reforçando a cola de um adesivo numa parada de ônibus da Presidente Kennedy, em São José, quando um idoso se aproximou e mandou parar. Dali a poucos minutos, Samuel Soares Araújo, de 19 anos, o Samuka, conhecido em todo o país por trabalhar como entregador usando uma cadeira de rodas, estava com um corte na mão e ligando para a Polícia Militar.
O adesivo divulgava o ABS PRO, o aplicativo de entregas que o próprio Samuka lançou para consolidar o trabalho que o tornou conhecido na Grande Florianópolis. Segundo o relato do jovem, o idoso chegou afirmando que colar o material era proibido por lei federal e que ele estaria sujando o ponto de ônibus.
Samuka conta que pediu para o homem se identificar, na dúvida se seria algum tipo de fiscal ou segurança. “Primeiramente se identifica”, disse. A resposta não veio. De acordo com o jovem, ao perceber que o idoso enrolava para chamar alguém ou dizer quem era, ficou claro que não se tratava de nenhuma autoridade.
A agressão
Foi quando o homem arrancou o adesivo, e Samuka começou a gravar. Segundo o relato, ao perceber que estava sendo filmado, o idoso primeiro tentou ir embora, mas voltou ao notar que o vídeo tinha registrado seu rosto. “Ele veio tentar me dar tapa e soco”, afirmou o jovem, que diz ter saído da confusão apenas com um corte leve na mão antes de o agressor fugir do local.
O que mais revoltou o jovem não foi a tentativa de agressão, mas o adesivo arrancado. “Quem empreende vai me entender: investimos tempo e dinheiro, às vezes sem ter retorno, tudo com o objetivo de fazer um sonho se tornar realidade”, desabafou.
Boletim de ocorrência
Após a confusão, Samuka acionou uma viatura e registrou boletim de ocorrência. Conforme o documento da Polícia Militar de Santa Catarina, o caso foi classificado como vias de fato, com o jovem na condição de vítima. O relato descreve que ele colava o adesivo publicitário no ponto quando o idoso afirmou que aquilo não poderia ser feito, uma discussão começou e o homem partiu para a agressão.
O jovem afirma que, depois do BO, ainda tentou apresentar o vídeo com o rosto do agressor em uma delegacia da Polícia Civil, mas não encontrou nenhuma unidade aberta em São José naquele momento.
Samuka ganhou notoriedade nacional ao compartilhar a rotina de trabalho como entregador cadeirante, superando barreiras de acessibilidade no dia a dia. Recentemente, passou a rodar de triciclo e deu um passo maior ao criar o próprio aplicativo, transformando a marca pessoal em negócio.























