A faca de cabo branco apareceu antes das palavras. Um homem de moletom preto com escrita vermelha, boné verde e bermuda parou em frente a uma residência em Balneário Camboriú e começou a ameaçar quem estava dentro da casa. Não havia briga anterior, não havia motivo aparente. Só a lâmina e a voz aumentando.
O que ele disse ficou registrado. Segundo a vítima, o homem afirmou: “Quem mexe com a minha mulher tem que morrer. Sou do Comando Vermelho. Já matei em Salvador!” As imagens do episódio foram obtidas pelo Jornal Razão.
O COPOM da Polícia Militar acionou a guarnição de Balneário Camboriú depois que o solicitante relatou que um homem estaria ameaçando moradores de uma residência, sem motivo aparente, e que estaria armado com uma faca. A guarnição deslocou-se imediatamente ao endereço informado.
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No local, os policiais militares fizeram contato com a vítima, que relatou não conhecer o autor. Segundo o relato, o homem seria namorado de uma antiga inquilina do imóvel. A vítima o descreveu como um homem de pele negra, aparentando cerca de 24 anos, trajando moletom preto com escrita vermelha, boné verde e bermuda.
Peso da ameaça
A menção ao Comando Vermelho é o ponto que muda o peso da ocorrência. Uma ameaça com faca já é crime; a invocação de uma facção criminosa e a alegação de homicídio em outro estado transformam o episódio em algo que a polícia precisa tratar com outro nível de atenção, ainda que a filiação declarada não tenha sido confirmada.
Depois das ameaças, o autor deixou o local em um veículo GM/Celta preto e tomou rumo ignorado. A guarnição realizou diligências na região, mas o homem não foi localizado até o encerramento da ocorrência.
A Polícia Militar identificou o autor de forma preliminar com base nas informações prestadas pela vítima e no vídeo apresentado. A identificação, no entanto, não bastou para levar à captura naquele momento.
O que vem agora
A vítima foi orientada quanto aos procedimentos legais cabíveis e o boletim de ocorrência foi registrado. Todas as providências possíveis foram adotadas no local pela guarnição.
O caso agora segue com a Polícia Civil, que deve apurar a autoria das ameaças e verificar se a alegação de vínculo com facção e o suposto homicídio em Salvador têm alguma sustentação. Até o momento, nada disso foi confirmado.
Balneário Camboriú, no Litoral Catarinense, tem registrado ocorrências envolvendo indivíduos que se apresentam como membros de facções para intimidar moradores. A prática, conhecida no meio policial como uso do “nome da facção”, nem sempre corresponde a um vínculo real, mas produz o efeito buscado: o medo.























