Logo Jornal Razão
Publicidade

Mãe chorou sobre o caixão do filho em 2010: 15 anos depois, assassino de policial foi morto pela PMSC

Quinze anos após o assassinato do policial Eliseu, o principal acusado, Gê do PGC, foi morto em operação do BOPE. Ele era considerado um dos criminosos mais perigosos de SC e estava marcado para morrer pela própria facção.

Mãe chorou sobre o caixão do filho em 2010: 15 anos depois, assassino de policial foi morto pela PMSC
Foto: Reprodução
Publicidade

Era 2010. No velório do jovem policial civil Eliseu de Souza Júnior, a imagem da mãe inconsolável, abraçada ao caixão coberto com a bandeira de Santa Catarina, estampava o luto da segurança pública catarinense. Eliseu tinha apenas 20 anos. Tinha fé, sonhos, e havia acabado de sair de um culto religioso quando foi executado com tiros na nuca, dentro do próprio carro, em São José.

Quinze anos depois daquela cena que emocionou o estado, o principal acusado de participação naquele crime teve o mesmo fim que causou: a morte. Geovani Salvio da Silva, conhecido como “Gê”, foi morto nesta terça-feira (29) durante uma operação do BOPE da Polícia Militar de Santa Catarina, no bairro Barranceira, em Laguna.

Publicidade

A residência onde ele estava escondido vinha sendo monitorada pelo serviço de inteligência. O imóvel era suspeito de guardar armas usadas pela facção Primeiro Grupo Catarinense (PGC), organização da qual Gê fazia parte e onde ocupava posição de relevância operacional.

Ao ser abordado, Gê não acatou as ordens e tentou reagir. Foi baleado. O SAMU foi acionado, mas apenas constatou a morte. No local, foram apreendidas uma pistola calibre .380 com numeração raspada, munições, acessórios de armamento, colete balístico e mais de dois quilos de maconha.

Histórico de alta periculosidade

A ficha de Gê era longa. Desde a adolescência, acumulava passagens por tráfico, assaltos, porte ilegal de arma, ameaças e homicídios. Ainda menor, foi apontado pela Polícia Civil como um dos autores da morte de Eliseu. Segundo a investigação da época, ele participou diretamente da emboscada que resultou na execução do policial.

O crime foi tratado como uma execução. Eliseu foi rendido após sair da igreja e, ao ser identificado como policial, foi alvejado com tiros certeiros na nuca. Um adolescente baleado pela vítima foi abandonado em um hospital por comparsas — entre eles, Gê.

Publicidade

Menos de um ano depois, em janeiro de 2011, Gê voltou às manchetes. Ele foi identificado como autor do assassinato de um turista argentino em Florianópolis. Raúl Alberto Baldo, de 48 anos, estava em Canasvieiras com a esposa e os dois filhos, de 11 e 14 anos, quando flagrou um homem tentando furtar seu carro. Ao tentar impedir o crime, foi baleado na frente da família e morreu ali mesmo, na calçada da rua Rodolfo Hickel, à 0h53min de uma madrugada quente de verão.

A brutalidade do assassinato comoveu o estado e gerou comoção internacional. As digitais de Gê foram encontradas no veículo do argentino, que havia acabado de chegar à capital catarinense para aproveitar as férias.

Entre 2011 e 2012, Gê fugiu duas vezes de centros socioeducativos. Em uma das vezes, escapou apenas dois dias antes de completar 18 anos. Logo depois, já maior de idade, voltou a ser preso com armas e drogas. A Justiça o considerava um criminoso de altíssima periculosidade.

Guerra interna no PGC e “salve” de morte

Recentemente, Gê se tornou alvo da própria facção. Reportagem exclusiva do Jornal Razão em maio de 2025 revelou uma grave crise interna no PGC, com divisão entre líderes e trocas de ameaças.

Publicidade

Gê estava no centro dessa disputa. Ele havia sido “decretado” pelo chamado Primeiro Ministério da facção, sob acusação de desviar armamentos. Em um parecer final, o nome dele apareceu em uma lista de sete integrantes marcados para morte, ao lado de outros nomes conhecidos do submundo catarinense.

“Agiremos da mesma maneira, cortando o mal pela raiz”, dizia o documento que circulou entre membros da organização. Gê, identificado como “G Q: Monte Verde”, passou a ser alvo de retaliação de seus próprios aliados.

Vídeos circulados por aplicativos mostravam membros do PGC com fuzis e mensagens de ameaça contra rivais internos. A facção, fundada em 2003 dentro da Penitenciária da Agronômica, vive hoje um dos momentos mais instáveis de sua história.

Operação e resposta tática

A operação que resultou na morte de Gê foi planejada com apoio do helicóptero da Polícia Militar e envolveu unidades táticas do BOPE. A ordem era clara: localizar armamento pesado da facção e capturar o foragido.

Com a morte de Gê, cai um dos criminosos mais perigosos em atividade no estado. A Polícia Civil investiga agora a possível ligação dele com novos homicídios e crimes praticados nos últimos meses.

Enquanto isso, a lembrança do jovem Eliseu segue viva, especialmente entre os colegas de profissão e na memória da mãe, que há 15 anos se despedia do filho no cenário mais doloroso de todos: um velório marcado por farda, bandeira e lágrimas.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham