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“Só tiro se pagarem”: funcionário “sequestra” caminhão e fecha acesso à mineradora de SC em protesto

Trabalhador posicionou o caminhão em cima da balança para cobrar diárias que diz não ter recebido e relata ter sido agredido por colegas. A empresa apresenta versão oposta e o caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal.

“Só tiro se pagarem”: funcionário “sequestra” caminhão e fecha acesso à mineradora de SC em protesto
Foto: Reprodução
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Eram pouco mais de seis da manhã quando o serviço da Qualidade Mineradora, em Garopaba, no Litoral Sul de Santa Catarina, parou por completo. Um caminhão estava atravessado em cima da balança da empresa, trancando a passagem e impedindo o andamento da operação. No volante, um motorista que se recusava a sair do lugar enquanto não recebesse o que diz ser seu por direito.

O trabalhador, funcionário da mineradora, posicionou o veículo sobre a balança e ficou com a chave em mãos. Segundo seu relato à Polícia Militar, ele estaria cobrando diárias atrasadas que a empresa não teria pago, um valor que, conforme afirma, chegaria a mil reais ainda em aberto. Sem espaço para negociar, decidiu travar a passagem como forma de pressão.

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A Polícia Militar foi acionada pela central de emergência e, ao chegar ao Canto da Penha, colheu os relatos individuais de todos os envolvidos. Foi aí que as versões se dividiram.

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A versão do motorista

De um lado, o motorista afirma que apenas foi reivindicar seus direitos e que, ao se recusar a liberar o caminhão, teria sido agredido a socos e chutes por um encarregado e outro funcionário. Conforme seu relato, um terceiro funcionário teria segurado seu pescoço enquanto os demais o atingiam. Ele registrou queixa por lesão corporal leve e manifestou interesse em representar criminalmente contra os autores.

O trabalhador conta ainda que o atrito com a empresa vinha de antes. Segundo ele, estava em uma obra na região de Massaranduba e teria sido orientado a retornar de carona ou em outro caminhão, mas resolveu voltar dirigindo o veículo da empresa. Por causa disso, afirma, a empresa estaria querendo descontar de seu salário despesas de óleo e combustível do trajeto.

A versão da empresa

Do outro lado, representantes da empresa apresentaram uma versão diferente. Segundo eles, o funcionário teria chegado alterado ao trabalho, colocado o caminhão sobre a balança e se recusado a devolver a chave, causando transtorno na operação e sem aceitar diálogo. Relataram ainda que ele estaria chamando os demais para a confusão e que só foi possível liberar a passagem depois de muita discussão, retirando a chave e o veículo à força.

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Um dos responsáveis pela operação contou que chegou por volta das 6h25 e encontrou o caminhão bloqueando a passagem em cima da balança. Ao verificar a situação, teria ouvido do motorista que ele só tiraria o veículo do lugar se a empresa pagasse os direitos trabalhistas. Mesmo após a retirada do caminhão, o trabalhador teria permanecido sobre a balança, sendo necessário removê-lo.

O que diz o boletim

Diante das lesões leves constatadas, a Polícia Militar lavrou um Boletim de Ocorrência na modalidade Termo Circunstanciado. O trabalhador passou por requisição de exame de corpo de delito, com a Polícia Científica encarregada de apontar a extensão dos ferimentos. O caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal, onde as partes deverão ser intimadas a comparecer.

Por se tratar de relatos conflitantes registrados em ocorrência, nenhuma das versões está confirmada como verdade definitiva. Caberá à Justiça apurar o que de fato ocorreu, quem agrediu quem e se havia, de fato, valores trabalhistas em aberto. Até lá, o que existe são as falas das partes, todas colhidas pela guarnição no local.

O episódio expõe um pano de fundo que vai além da confusão daquela manhã: a queixa de um trabalhador que afirma não receber o que estava previsto em contrato e que diz não ter tido outra forma de ser ouvido a não ser parando a máquina. A empresa, por sua vez, sustenta que houve apenas um funcionário causando transtorno. A palavra final agora é da Justiça.

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