Logo Jornal Razão
Publicidade

“Vi minha pele derretendo”, desabafa vítima de explosão em restaurante de Balneário Camboriú

Sameli de Matos, vítima de uma explosão em restaurante de Balneário Camboriú, sofreu queimaduras graves e luta por recuperação. Ela precisa de ajuda para custear o tratamento.

“Vi minha pele derretendo”, desabafa vítima de explosão em restaurante de Balneário Camboriú
Foto: Reprodução
Publicidade

O que era para ser uma noite tranquila de jantar entre amigas em Balneário Camboriú (SC) se tornou um marco doloroso na vida de Sameli de Matos. No dia 3 de janeiro deste ano, ela foi vítima de uma explosão provocada durante o reacendimento de um réchaud em um restaurante de fondue da cidade, sofrendo queimaduras graves que mudaram completamente sua rotina.

Segundo relato dado ao Jornal Razão, Sameli havia acabado de finalizar a parte salgada do fondue e aguardava a sobremesa. Quando as guarnições chegaram, o garçom perguntou se o réchaud deveria ser reacendido. A resposta foi positiva. “Ele pegou uma pequena garrafa que acredito ser de álcool e, sem retirar o réchaud da mesa ou verificar a situação, despejou o líquido diretamente nele. No mesmo instante, houve um estrondo e uma enorme chama atingiu meu vestido”, relembra.

Publicidade

O fogo se espalhou rapidamente. Em pânico, Sameli gritava por socorro enquanto via clientes apavorados ao redor. Alguém gritou para abafar as chamas, e ela sentiu um abraço que tentou conter o incêndio. Em seguida, jogou-se no chão até que o fogo se apagasse. Com o corpo em chamas e sentindo dor intensa, pediu seus óculos e começou a andar sem rumo pelo salão, sem atendimento imediato dos funcionários. “Fiquei alguns minutos gritando de dor, até que um deles me disse para ir ao banheiro e molhar as queimaduras. Quando me vi no espelho, o desespero aumentou. Minha pele estava derretendo”, contou.

Levada para uma sala junto com a amiga que a acompanhava, permaneceu ali até a chegada da ambulância. Nesse intervalo, afirma que uma funcionária do caixa chamou sua amiga para cobrar a conta. Ao recusar, a funcionária exigiu documentos como garantia de pagamento. A ambulância chegou apenas depois da insistência de que não haveria pagamento naquele momento.

O quadro de saúde exigiu coma induzido. Sameli acordou 16 dias depois, confusa e com dor intensa. “Era como se tivesse acordado em outro corpo. Não conseguia me mover, respirar era um esforço, meus braços e mãos mal se mexiam, e meu pescoço doía. O cheiro de hospital, de pomadas e remédios, estava em todo lugar”, relembra.

A médica e a família explicaram o que havia acontecido. As queimaduras atingiram 32% do corpo, incluindo pescoço, braços, tórax e rosto. A partir dali, começou um longo processo de reaprendizado: desde segurar um copo até se sentar na cama. “Precisei aprender a caminhar novamente e a falar de novo, pois fiquei com sequelas da entubação. Depois de sair do hospital, não fazia nada sozinha. Precisava de ajuda para comer, tomar banho, tudo.”

Publicidade

A luta de Sameli vai além das limitações físicas. As cicatrizes ardem, repuxam e incomodam diariamente, enquanto os traumas emocionais permanecem vivos. “Tenho crises de ansiedade e sintomas de estresse pós-traumático. O cheiro de álcool ou o barulho de algo acendendo me fazem reviver aquele momento. É como se estivesse acontecendo de novo.”

O tratamento ainda é longo e exige consultas constantes com especialistas em queimaduras, cirurgias reconstrutivas, fisioterapia intensiva e uso contínuo de malhas compressivas, que precisam ser trocadas regularmente. A recuperação envolve também fonoaudiologia, devido às sequelas na voz e deglutição.

Apesar de receber um valor mensal determinado pela Justiça, Sameli afirma que a quantia não cobre todos os custos com medicamentos, transporte, equipamentos, terapias e insumos médicos. “Dependo do apoio de familiares, amigos e pessoas solidárias para manter o tratamento. Mais do que sobreviver, preciso reconstruir minha vida. E para isso, todo apoio é fundamental.”

Hoje, sua prioridade é garantir a continuidade dos cuidados médicos e psicológicos, com a esperança de recuperar ao máximo a mobilidade e a qualidade de vida. “A chama durou segundos, mas mudou para sempre a minha história. Ainda estou aprendendo a conviver com essa nova realidade e lutando todos os dias para me reerguer.”

Publicidade

Para ajudar a custear as despesas médicas, cirurgias reconstrutivas, fisioterapia, fonoaudiologia, malhas compressivas e medicamentos, Sameli criou uma vakinha online. A campanha busca arrecadar recursos para que ela possa manter o tratamento sem interrupções e garantir qualidade no processo de recuperação. Segundo ela, cada contribuição é fundamental para que consiga retomar a autonomia, reduzir as dores e enfrentar os desafios físicos e emocionais deixados pelo acidente.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham