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Estuprador ataca mulheres e faz novas vítimas em SC apenas 16 dias após ganhar “condicional”

Maicon José Schelbauer, de 45 anos, cumpria pena de 14 anos por estupro e estupro de vulnerável e teve o livramento condicional implantado em 3 de junho. Dezesseis dias depois, segundo a Polícia Civil, fez duas vítimas em Papanduva, no Planalto Norte. A polícia apura se há outras vítimas na região.

Estuprador ataca mulheres e faz novas vítimas em SC apenas 16 dias após ganhar “condicional”
Foto: Reprodução
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A mulher de 25 anos estava sozinha em casa, em Papanduva, no Planalto Norte de Santa Catarina, quando um homem entrou no imóvel armado com facas e um martelo. Pelas horas seguintes, segundo a Polícia Civil, ela ficou em cárcere privado dentro da própria residência, ameaçada e vítima de violência sexual. O ataque, porém, não terminaria nela.

Ainda dentro da casa, o invasor teria pegado o celular da vítima e passado a escrever para os contatos dela. As mensagens ofereciam horários disponíveis para atendimento profissional, uma isca escrita em nome de quem estava rendida no cômodo ao lado. Uma adolescente respondeu e foi até o endereço. Ao chegar, conforme a investigação, também foi dominada e violentada.

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A sequência só foi interrompida quando o companheiro de uma das vítimas chegou ao local. Ele confrontou o suspeito e conseguiu retirar as duas mulheres do imóvel.

O homem apontado pela Polícia Civil como autor dos ataques é Maicon José Schelbauer, de 45 anos. Ele não estava foragido nem escondido: cumpria uma condenação anterior por estupro, estupro de vulnerável e constrangimento ilegal e, naquele 19 de junho de 2026, estava em livramento condicional havia exatamente 16 dias.

O nome não constava da primeira nota distribuída pela corporação. O Jornal Razão confirmou a identidade cruzando informações policiais com o processo de execução penal nº 0001290-18.2019.8.16.0146, que reconstitui, decisão a decisão, o caminho que devolveu Maicon às ruas semanas antes dos novos crimes.

Do regime fechado à rua

A pena original é de 14 anos de reclusão, fixada inicialmente em regime fechado. Em 6 de outubro de 2025, a Justiça autorizou a progressão para o regime aberto, considerando que o tempo mínimo exigido havia sido cumprido e que o comportamento carcerário era classificado como satisfatório.

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Meses depois, a defesa pediu o livramento condicional. Na decisão de 1º de junho de 2026, a Justiça registrou que o requisito temporal havia sido alcançado ainda em 24 de março, que não havia notícia de novos crimes ou faltas graves nos 12 meses anteriores e que o condenado tinha condições de trabalhar e garantir a própria subsistência. O Ministério Público se manifestou favoravelmente. Ao conceder o benefício, o juízo fixou condições e advertiu que o descumprimento das obrigações ou o cometimento de outro crime poderia levar à revogação.

O livramento aparece implantado no sistema em 3 de junho. Dezesseis dias depois vieram os estupros agora investigados.

A investigação e a prisão

A apuração começou logo após o registro da ocorrência. A Polícia Civil colheu depoimentos e analisou imagens de câmeras de segurança até identificar e localizar o suspeito. Uma das gravações mostra Maicon em uma conveniência de Papanduva por volta das 9h56 do dia dos crimes.

Com os elementos reunidos, a corporação representou pela prisão temporária. O mandado foi cumprido em 24 de julho, pouco mais de um mês depois dos ataques, quando ele retornava ao Fórum de Papanduva justamente para assinar o processo no qual estava em liberdade. Durante o interrogatório, permaneceu em silêncio. Concluídos os procedimentos, foi levado ao Presídio Regional de Mafra, onde segue à disposição da Justiça em prisão cautelar vinculada à nova investigação.

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O descompasso no processo

Há ainda um detalhe que expõe o descompasso entre as duas frentes do processo. Em 24 de junho, cinco dias depois dos novos ataques, outra decisão judicial negou a Maicon um pedido de indulto e comutação da pena, sob o argumento de que a condenação por estupro de vulnerável impedia a concessão do benefício previsto no decreto federal analisado. Aquela negativa, porém, não tocou no livramento condicional, por se tratar de pedido diverso, e sequer mencionou os fatos do dia 19, que ainda estavam sob apuração e só resultariam em prisão um mês depois.

Nas movimentações do processo de execução até 27 de julho, não aparecia decisão específica suspendendo ou revogando formalmente o livramento condicional. O que mantém Maicon recolhido, por ora, é a prisão decretada no caso novo, enquanto a Polícia Civil conclui as diligências.

Polícia investiga outras vítimas

A corporação trabalha com a hipótese de que as duas vítimas de 19 de junho não sejam as únicas. Por isso divulgou imagens do investigado e pediu que possíveis vítimas procurem uma delegacia. Uma tatuagem com o desenho de um átomo acompanhado de duas letras, na região do abdômen, foi apontada como característica que pode ajudar no reconhecimento. Até agora não foi informado quantas mulheres já procuraram as autoridades nem se há outros inquéritos formalmente instaurados.

A condenação anterior é definitiva e segue em execução. Já os episódios de junho de 2026 ainda são objeto de investigação, e Maicon, embora apontado pela Polícia Civil como autor, não foi julgado por esses fatos. Mulheres que reconheçam o investigado ou tenham sido vítimas de condutas semelhantes podem procurar qualquer delegacia, e as informações serão analisadas para verificar possível ligação com outros ataques. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa.

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