A Polícia Civil cumpriu na última sexta-feira um mandado de busca e apreensão em uma clínica de estética em Lages, na Serra Catarinense, e recolheu câmeras de segurança, um HD com imagens do estabelecimento e documentos dos profissionais que atenderam uma empresária de 70 anos. A paciente morreu dias depois de se submeter a um lifting facial no local, e a investigação tenta entender o que deu errado.
A vítima é Geny Maria Angeli Michielin, moradora de Caçador, no Meio-Oeste catarinense, e proprietária de uma fábrica de solas de calçados na cidade. Conforme a apuração, ela passou pelo procedimento de rejuvenescimento facial na terça-feira e, depois de apresentar complicações, foi levada a um hospital ainda no mesmo dia. Não resistiu e morreu na quarta-feira, em Lages.
O caso está com a 1ª Delegacia de Polícia da Comarca de Lages, com apoio da Polícia Científica. A ação na clínica precisou de autorização da Justiça porque os documentos reunidos até então não eram suficientes para reconstruir a sequência do que aconteceu.
O que a perícia busca
Até a operação, a polícia tinha em mãos apenas o prontuário do hospital onde a empresária recebeu o socorro de emergência. Faltava a outra ponta da história, a do procedimento em si. Foi por isso que a delegada pediu a ordem judicial para recolher, dentro da própria clínica, os registros da cirurgia e da evolução do quadro da paciente.
Segundo a delegada responsável, a papelada disponível não esclarecia a dinâmica do atendimento, e foi essa lacuna que motivou o pedido de busca e apreensão para localizar os documentos da cirurgia e do pós-operatório.
Os materiais apreendidos já foram encaminhados ao Instituto Médico Legal. A perícia também passou a analisar as imagens das câmeras de segurança da clínica, que podem ajudar a reconstruir o atendimento minuto a minuto.
Conselhos profissionais entram no caso
Além da frente policial, dois conselhos foram acionados. O CRO-SC, Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina, foi chamado para fiscalizar o estabelecimento. O CRM-SC, Conselho Regional de Medicina, foi comunicado para acompanhar a investigação.
O detalhe não é menor. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, cirurgias plásticas faciais como o lifting envolvem sedação profunda e anestesia geral e são atos exclusivos de médicos, conforme a legislação brasileira. A apuração ainda não esclareceu quem conduziu o procedimento na empresária nem qual a formação desse profissional.
A espera pelos laudos
Não há previsão para a conclusão dos laudos periciais. De acordo com a delegada, a investigação trabalha para reunir tudo o que existe e repassar ao legista, diante das muitas perguntas que seguem em aberto sobre o atendimento.
As causas da morte ainda não foram divulgadas oficialmente. A família acompanha o caso e aguarda os resultados. Um filho da empresária afirmou que o laudo definitivo do legista da Polícia Científica ainda não saiu e costuma levar alguns dias. Segundo ele, a família trata o caso com cautela e espera que, se for identificada alguma irregularidade no atendimento, as medidas cabíveis sejam tomadas.
Geny foi velada na quinta-feira no Memorial São Pedro, em Caçador, onde também foi sepultada, no Cemitério do Castelhano. A morte gerou comoção, e familiares, amigos e ex-funcionários publicaram homenagens à trajetória da empresária. A investigação segue em andamento, e os exames periciais e os documentos apreendidos devem indicar o que ocorreu durante o procedimento.






















