O chão da Avenida Senador Salgado Filho virou um túmulo de concreto e barro no início da noite desta quarta-feira (1º), em Caçador, no Meio-Oeste catarinense. Quase cinco horas depois do desabamento que derrubou placas de concreto de um barracão em construção sobre três trabalhadores, a segunda vítima foi retirada dos escombros sem vida, encerrando uma das operações de resgate mais dramáticas registradas na cidade.
O acidente aconteceu por volta das 16h30, quando uma estrutura de muro desabou sobre os operários que trabalhavam no fundo do barracão. A suspeita é de que as chuvas intensas dos últimos dias tenham encharcado o solo, criado sobrepeso e comprometido a estabilidade dos blocos de concreto. Um primeiro trabalhador foi retirado com ferimentos e encaminhado para atendimento médico. Os outros dois ficaram soterrados.
A primeira morte foi confirmada ainda no local logo após o colapso. Wesley, morador de Porto União (SC), não resistiu. O segundo trabalhador, identificado preliminarmente como Sander, morador de Porto Vitória (PR), estava desaparecido sob toneladas de terra, barro e concreto desde as 16h30 e só foi localizado quase ao fim da noite.
Lixadeira na mão
O detalhe que marcou a tragédia foi revelado pelo coordenador da Defesa Civil de Caçador, Sérgio Izoto: Sander foi encontrado com uma lixadeira elétrica na mão, ferramenta que usava no exato momento em que a estrutura cedeu. “Talvez tenha sido um dos motivos dele não perceber, não ouvir barulho quando houve o desmoronamento, já que ele estava com a lixadeira na mão”, disse Izoto. “Com certeza ele estava usando essa lixadeira, então o barulho talvez não tenha ouvido e não houve tempo dele sair do local.” Ele estava próximo ao ponto de queda das placas, sem chance de reagir.
Detector de metais
Encontrar o trabalhador exigiu quase cinco horas de buscas em condições extremas. O barranco ao fundo do barracão corria risco constante de novo colapso sobre as equipes, tornando cada etapa do resgate ainda mais perigosa. A virada nas buscas veio com a chegada de um detectorista acionado para auxiliar a operação. Usando um equipamento detector de metais, ele identificou sinais a um metro e meio, dois metros de profundidade, levando a equipe ao ponto exato onde Sander estava soterrado, o celular no bolso e a lixadeira ainda na mão.
A causa
O coordenador da Defesa Civil apontou as chuvas dos últimos dias como provável fator desencadeante. “A gente percebeu alguns blocos grandes de concreto de um muro, provavelmente tinha acima dessa construção e as chuvas no último dia vem encharcando o solo, vem fazendo sobrepeso e isso pode ter contribuído para que isso acontecesse”, afirmou Sérgio Izoto. As causas oficiais serão apuradas em investigação.
A operação mobilizou uma força-tarefa de grande porte: Bombeiros Voluntários, Polícia Militar, Defesa Civil e equipes de apoio com máquinas pesadas e cão de busca. Com a confirmação do segundo óbito, a Polícia Científica foi acionada para conduzir o corpo. O caso seguirá investigação pelas autoridades competentes para apurar as responsabilidades pela obra e as condições da estrutura que cedeu.






















