A diretora e um vigia do Centro de Educação Infantil (CEI) Antônio Volpato, em Braço do Norte, no Sul de Santa Catarina, foram indiciados por abandono de incapaz nesta quarta-feira (30). Os dois são responsabilizados pelo caso do bebê de 1 ano e 6 meses que saiu sozinho da creche e caminhou pela rua até o trabalho da mãe. O indiciamento foi confirmado pela Polícia Civil.
Segundo a delegada Jéssica Borges, o indiciamento foi feito na modalidade de dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de que o pior aconteça. A investigação apontou duas falhas que se somaram: o portão, único acesso à unidade, vinha sendo deixado aberto por causa de um problema estrutural, e o vigia não estava no lugar onde deveria estar quando a criança saiu.
O caso aconteceu na sexta-feira (25). A mãe deixou o filho na creche por volta das 7h20. Pouco depois das 8h45, o menino saiu pelo parque da unidade, que fica perto da portaria, e percorreu cerca de 50 metros sozinho, ao lado de uma via por onde passam carros, caminhões e tratores.
As câmeras de segurança mostram o bebê andando sem nenhum adulto por perto enquanto um carro passa logo atrás dele. Em um momento, ele tropeça e cai ao tentar subir na calçada, mas levanta e segue em frente. No escritório onde a mãe trabalha, ele bate na porta de vidro até ser visto. Uma funcionária percebe que ele está sozinho, pega o menino no colo e o leva para dentro, onde ele é entregue à mãe.

A criança não se machucou. Depois do susto, a mãe registrou boletim de ocorrência e matriculou o filho em outra creche. Segundo ela, a unidade estava em reforma e o portão ficava aberto. No dia, as câmeras internas da creche também estavam desligadas: de acordo com a Prefeitura de Braço do Norte, um serviço na rede elétrica interrompeu o monitoramento.
Com o indiciamento, o inquérito segue para o Ministério Público, que decide se denuncia ou não os dois funcionários à Justiça. A 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Braço do Norte já tinha aberto um procedimento próprio para apurar falhas na vigilância e nos protocolos de segurança da creche. A promotora Luísa Niencheski Calviera pediu as imagens das câmeras da manhã de 25 de setembro e marcou uma visita à unidade para 2 de outubro.
A Secretaria Municipal de Educação e Desporto instaurou uma sindicância administrativa para apurar as circunstâncias do caso e os procedimentos adotados pela unidade. Em nota, a pasta afirmou que tomará as medidas administrativas e legais cabíveis e que vai preservar a identidade dos envolvidos, por se tratar de um caso com uma criança.
Em entrevista ao Jornal Razão, a mãe contou o desespero ao ver o filho na porta do trabalho. “Foi a mão de Deus que guiou ele até mim“, disse. Ela também relatou que ninguém da creche tinha percebido a saída do menino.















