O cerco se fechou na manhã desta sexta-feira (24), em Palhoça, na Grande Florianópolis. Policiais da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), a tropa de operações especiais da Polícia Civil de Santa Catarina, chegaram ao endereço onde estava um homem procurado na Bahia. Houve confronto armado. Ao fim da ação, o criminoso estava neutralizado e nenhum policial saiu ferido.
Anderson dos Santos Dias, de 28 anos, era integrante do Comando Vermelho na Bahia. No estado de origem, acumulava registros policiais por homicídio, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas e organização criminosa. Conforme as informações repassadas às forças de segurança catarinenses, ele e o grupo do qual fazia parte estão envolvidos em homicídios ligados à disputa por território.
A guerra que ele deixou para trás
O Comando Vermelho se estabeleceu na Bahia a partir de 2020, quando absorveu a facção local Comando da Paz. A aliança abriu rotas de drogas e armas para o estado e acirrou a violência na disputa por territórios em bairros periféricos de Salvador e em municípios do interior. A principal adversária é o Bonde do Maluco (BDM), facção baiana aliada ao PCC, e o confronto entre os dois grupos é apontado por autoridades como um dos principais fatores para o aumento dos homicídios no estado.
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A escalada continua neste ano. Em maio, o BDM promoveu uma série de ataques em diferentes pontos da capital baiana. Uma semana depois, o Comando Vermelho reagiu com a execução de dois rivais no bairro do Lobato, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. No mesmo período, o bairro de Tancredo Neves registrou dois homicídios atribuídos ao mesmo conflito.
Nessa guerra, a mutilação de corpos virou método de intimidação. Em junho deste ano, em Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, um adolescente de 17 anos foi arrastado para fora de casa, espancado e decapitado a poucos metros da própria residência. A execução é atribuída ao Comando Vermelho e teria como motivação a suspeita de ligação da vítima com o BDM. A mãe e o irmão caçula assistiram à cena.
A rota até Santa Catarina
A presença de faccionados baianos em Santa Catarina não é caso isolado. Em junho, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Bahia informou ter alcançado mais de 406 foragidos desde 2023 e apontou que criminosos com atuação no estado nordestino vinham se escondendo no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais e em Santa Catarina.
No dia 16 de junho, uma operação conjunta das polícias civis dos dois estados, batizada de Gênesis, mirou integrantes da facção baiana Tropa do Cote que haviam deixado a Bahia e passado a viver em território catarinense. A ação terminou com sete presos em Santa Catarina e a morte de um investigado em confronto, em Itapema, no Litoral Norte. Segundo a Polícia Civil da Bahia, a investigação identificou uma rede de operadores e foragidos distribuída por diferentes estados.
O cerco baiano tem produzido resultado. Conforme a Secretaria da Segurança Pública da Bahia, 70 líderes de facções foram localizados ao longo de 2026, em Salvador, na Região Metropolitana, no interior, em outros estados brasileiros e até fora do país. No balanço do primeiro semestre, o estado registrou queda de 20,5% nas mortes violentas, com 500 operações contra o crime organizado e cerca de R$ 164 milhões em bens e ativos alcançados.
A ação em Palhoça
A CORE é a unidade da Polícia Civil catarinense empregada em situações de alto risco e no enfrentamento a alvos armados. A operação desta manhã seguiu esse perfil. Durante a abordagem, houve confronto armado e o criminoso foi neutralizado no local.
Nenhum dos policiais envolvidos sofreu ferimentos.
O que vem agora
O caso segue sob apuração da Polícia Civil, que deve detalhar as circunstâncias do confronto. A investigação tende a apurar há quanto tempo ele estava em Santa Catarina, quem o abrigava e se mantinha atividade criminosa no estado ou apenas se escondia, além da possível presença de outros integrantes do mesmo grupo na Grande Florianópolis.
























