Uma criança de dois anos e seis meses está internada em estado gravíssimo na UTI Pediátrica do Hospital Jaraguá, em Jaraguá do Sul, com fortes indícios de maus-tratos. As informações foram apuradas com exclusividade pelo Jornal Razão. Foi a própria equipe de saúde que acionou a polícia, ao constatar que o conjunto de lesões apresentado pela criança não combinava com as explicações dadas pela família.
Conforme a Polícia Militar, a corporação foi acionada na tarde deste sábado (13), depois que profissionais do Hospital Jaraguá comunicaram o caso de uma criança internada com indícios de possível situação de maus-tratos. Segundo o relatório, ela chegou à unidade na madrugada do mesmo dia, transferida de um hospital de Blumenau em razão da necessidade de vaga em UTI, já apresentando rebaixamento do nível de consciência.
Antes de chegar a Jaraguá do Sul, a criança havia passado por outras unidades. O primeiro atendimento foi em um hospital de Ibirama, após uma suposta queda durante o banho, episódio que, segundo o relato apresentado, teria provocado o traumatismo craniano enquanto ela estava sob os cuidados do padrasto. Ainda naquele atendimento, profissionais de saúde constataram lesões compatíveis com possível situação de maus-tratos, circunstância que já havia motivado um primeiro registro policial no município.
Quadro clínico gravíssimo
No Hospital Jaraguá, ao ser constatado que a criança estava não responsiva, ela foi encaminhada para tomografia. Após o exame, apresentou crises convulsivas e taquicardia, sendo necessária a intubação. A avaliação neurológica apontou um quadro gravíssimo, sem possibilidade de abordagem cirúrgica. Conforme o laudo, as lesões cerebrais aparentavam ser antigas, podendo representar contusões no atual contexto ou alterações de aspecto sequelar.
Os exames laboratoriais reforçaram a preocupação da equipe. Foram identificadas alterações significativas da função hepática, com índices muito acima dos valores de referência. Além disso, a criança apresentava lesões visíveis e extensas, com múltiplos hematomas distribuídos pelo tórax, pelas costas, na face e na cabeça, além de fratura craniana.
Versão da família não convenceu a equipe
Questionada sobre a origem dos ferimentos, a mãe biológica, uma mulher de 21 anos que acompanha a criança na UTI, teria atribuído os hematomas a uma babá e apresentado o boletim de ocorrência registrado anteriormente. A equipe de saúde, no entanto, passou a considerar a narrativa inconsistente, diante da extensão dos hematomas e do fato de eles aparentemente não terem sido percebidos antes.
Outro ponto chamou a atenção dos profissionais. A criança chegou ao Hospital Jaraguá acompanhada também por uma mulher apresentada como mãe de criação, que afirmou não ter notado qualquer hematoma. Essa pessoa não constava no registro feito em Ibirama, no qual o traumatismo craniano teria ocorrido sob a supervisão do padrasto.
Caso nas mãos da Polícia Civil
Diante da gravidade do quadro, do risco à vida da criança e dos fortes indícios de maus-tratos, a situação foi comunicada à Polícia Civil para a adoção das medidas investigativas cabíveis. A Polícia Civil determinou a expedição de nova guia pericial para avaliação das lesões apresentadas pela criança.
Até a última atualização, a criança seguia internada em estado gravíssimo. O caso permanece sob investigação, e a polícia apura as circunstâncias e a real origem dos ferimentos.
























