Operação Carga Oca, deflagrada pelo Gaeco na manhã desta quarta feira em Blumenau, expôs um esquema milionário de fraude no fornecimento de macadame que teria funcionado por pelo menos dois anos dentro da antiga Secretaria Municipal de Conservação e Manutenção Urbana. As suspeitas atingem ex servidores da pasta, empresários e funcionários de empresas contratadas pela prefeitura entre 2022 e 2024.
As equipes cumpriram 16 mandados de busca em residências e sedes de empresas nas cidades de Blumenau, Gaspar, Brusque e Pomerode. Durante as diligências, houve apreensão de 50 mil dólares e 80 mil reais em espécie. Em uma das abordagens, um dos investigados reagiu com arma de fogo, mas foi rapidamente contido pelos policiais do Gaeco e acabou preso.
Segundo o Ministério Público, a investigação aponta para uma associação ilícita formada para fraudar o fornecimento de macadame, material usado na manutenção e construção de vias urbanas. As irregularidades incluem simulação de entregas que nunca ocorreram, caminhões registrados como transportadores circulando vazios, manipulação de documentos e pagamentos indevidos. Auditorias externas e análises de monitoramento urbano reforçaram os indícios.
O nome “Carga Oca” faz referência justamente ao principal mecanismo da fraude: caminhões que deveriam transportar o material não trafegavam ou estavam completamente vazios, apesar de constarem como entregas realizadas. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de 3 milhões de reais.
Além das buscas, dois servidores públicos foram afastados de suas funções. Os contratos administrativos entre a prefeitura e as empresas investigadas foram suspensos por ordem judicial. O material recolhido será periciado pela Polícia Científica, que deve emitir novos laudos para aprofundar a apuração e identificar outros possíveis envolvidos.
Em nota, a Prefeitura de Blumenau afirmou que a operação apura fatos ligados exclusivamente ao período de 2022 a 2024, portanto anteriores à atual gestão municipal, iniciada em 2025. A administração declarou estar colaborando integralmente com o Ministério Público e destacou que já forneceu relatórios internos produzidos neste ano para reforçar a investigação.
As apurações seguem sob sigilo.






















