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Corretor de Tijucas que teria deixado primo entre a vida e a morte também é investigado por venda de Mounjaro

Corretor de imóveis, a esposa e o filho são investigados em Tijucas por agressão que deixou um familiar na UTI; a mulher também responde a inquérito por venda ilegal de Mounjaro, e a imobiliária da família não tem registro de pessoa jurídica no CRECI-SC.

Corretor de Tijucas que teria deixado primo entre a vida e a morte também é investigado por venda de Mounjaro
Foto: Reprodução
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O corretor de imóveis que virou alvo de operação em Tijucas, na Grande Florianópolis, está no centro de mais de uma investigação da Polícia Civil. Além do caso que deixou um homem da própria família entre a vida e a morte, ele e a esposa também são investigados pela venda ilegal do medicamento Mounjaro, apurou o Jornal Razão.

A vítima da agressão chegou por conta própria ao Hospital de Tijucas, com o crânio fraturado e cortes profundos na cabeça. Consciente, apesar da gravidade dos ferimentos, o homem ainda conseguiu acionar a Polícia Militar e apontar quem teria feito aquilo: três pessoas da própria família.

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Segundo uma fonte ligada à investigação, ele teria flagrado a prima, o marido dela, que atua como corretor de imóveis na cidade, e o filho fazendo uma ligação clandestina de água em área considerada patrimônio da família. A água, ainda de acordo com esse relato, seria revendida a uma empresa da região.

Ao questionar o trio, a vítima teria sido atacada pelos dois homens com enxadas. A equipe médica constatou fraturas no crânio, nas escápulas, nas costelas e na bacia, além dos cortes na cabeça, conforme outra fonte com conhecimento do caso. O homem precisou ser transferido para o Hospital Regional, em São José, e chegou a ficar internado na UTI, em estado grave.

Os três teriam deixado o local antes da chegada das autoridades e não foram encontrados em situação de flagrante. Foram, porém, identificados e apontados pela vítima como autores das agressões. O caso foi registrado como lesão corporal gravíssima e segue sendo apurado pela Polícia Civil, que também analisa a hipótese de tentativa de homicídio.

Na sexta-feira (24), a investigação deu um passo importante. Agentes da Delegacia de Tijucas cumpriram mandado de busca e apreensão expedido pela Vara Criminal da comarca e recolheram os celulares dos três investigados, que serão periciados. Ainda segundo apurou o Jornal Razão, os policiais procuraram também a ferramenta que teria sido usada nas agressões, mas ela não foi localizada.

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Mounjaro na geladeira

A investigação da agressão se soma a outra frente que cerca o mesmo endereço, e que começou bem antes. No dia 29 de outubro de 2025, a Vigilância Sanitária de Tijucas recebeu uma denúncia anônima: uma mulher estaria vendendo o medicamento Mounjaro (tirzepatida), usado para emagrecimento, por plataformas digitais e grupos na internet, sem exigir receita médica.

Fiscais então entraram em contato com a suspeita de forma velada, simulando interesse na compra. A mulher teria se disposto prontamente a vender o produto, oferecendo inclusive entrega já no dia seguinte, sem pedir qualquer prescrição, relatou uma fonte que acompanhou essa etapa. O caso foi repassado à Polícia Civil ainda em novembro e, em janeiro deste ano, virou inquérito contra a esposa do corretor.

Ela é investigada, em tese, pelo crime do artigo 273 do Código Penal, que trata da falsificação, corrupção ou adulteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais e da comercialização irregular desse tipo de produto. É um dos crimes com pena mais alta do Código Penal: de 10 a 15 anos de reclusão.

No dia 22 de junho, policiais civis cumpriram mandado de busca no apartamento do casal. Na geladeira, encontraram uma caixa com três ampolas abertas, em uso, de substância análoga ao Mounjaro, com quatro seringas ao lado. Nas buscas pela casa, apareceram outras três caixas. No total, foram apreendidas unidades de tirzepatida, 272 seringas de insulina e mais de cem agulhas, entre hipodérmicas e de caneta de insulina.

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O corretor acompanhou a ação e, segundo uma fonte a par da ocorrência, afirmou aos policiais ser usuário do produto, dizendo que o material seria para o próprio consumo. A reportagem também apurou que a esposa dele acumula 12 registros policiais anteriores, nos quais figura como suspeita em casos de apropriação indébita e furto.

Imobiliária sem registro no CRECI

Em paralelo às investigações criminais, levantamento do Jornal Razão em registros públicos mostra a situação da atividade imobiliária da família. O corretor tem registro ativo de pessoa física no CRECI-SC e está apto ao exercício da profissão. A empresa aberta por ele em 2024 para atuar em corretagem, porém, não possui inscrição de pessoa jurídica no conselho, exigência legal para empresas que fazem intermediação de imóveis. A esposa e o filho também não aparecem com registro de corretor no órgão.

Até a publicação desta reportagem, ninguém havia sido preso. Os inquéritos seguem em andamento na Delegacia de Tijucas e a Polícia Civil não divulgou detalhes sobre os próximos passos. A reportagem não localizou a defesa dos investigados; o espaço segue aberto para manifestação.

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