A cena que a Polícia Militar encontrou na casa do bairro Tapajós, em Indaial, era difícil de descrever sem usar a palavra desumana. Cômodos cobertos por fezes e urina, forte odor de decomposição e animais vivendo em condições extremas. Oito deles já estavam mortos, dentro de sacos de lixo. Outros 24 ainda resistiam. E, no centro daquela casa, uma cadeirante de 52 anos considerada incapaz.
Dias depois do flagrante, a situação permanece quase a mesma. A mulher de 40 anos apontada como responsável pelo imóvel foi ouvida na delegacia e liberada, e a cadeirante segue na residência, ao lado dos 22 cães e dois gatos que sobreviveram. A informação foi confirmada pela Prefeitura de Indaial. “Elas estão com os animais na casa”, relatou a administração, ao detalhar que tanto a responsável quanto a tia permanecem no local onde a ocorrência foi registrada.
A cena encontrada
O caso veio à tona na tarde de sábado, na rua Assunção. Quando os policiais entraram, depararam com os cômodos tomados por grande quantidade de fezes e urina, o cheiro de decomposição no ar e os animais em situação de severa precariedade. Os oito mortos, sendo sete cães e um gato, estavam dentro de sacos de lixo, em estado avançado de decomposição.

A responsável pelo imóvel é sobrinha da cadeirante. Ouvida pela Polícia Militar, ela afirmou que cuida do pai doente e que, excepcionalmente, teria deixado a tia sozinha naquele dia, motivo pelo qual não havia conseguido limpar a residência. Durante o atendimento, a mulher chegou a ser mordida por um dos cães e recebeu cuidados do Samu no local, assim como a cadeirante, sem necessidade de encaminhamento ao hospital.
Por que ninguém foi preso
O que mantém o caso em aberto é o desfecho. Segundo a Prefeitura de Indaial, a Assistência Social do município não teve como intervir porque as pessoas foram liberadas. A situação ficou pendente de nova verificação, e o que acontece a seguir depende do estado em que os animais forem encontrados na próxima visita ao imóvel.

Essa visita estava prevista para esta semana. Conforme a prefeitura, o Bem-Estar Animal e a Polícia Militar devem ir até a casa para conferir se a limpeza foi feita e se os 24 animais que sobreviveram estão em melhores condições. Caso constatem que os maus-tratos continuam, a suspeita poderá ser encaminhada à delegacia.

Procuradas, a Polícia Civil e a Polícia Militar não retornaram até a publicação. O caso segue em acompanhamento.






















