O julgamento do caso de assassinato em fábrica de Tijucas terminou com a condenação de Alfonzo Daniel Quijada Reyes a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Já Assis Diogenes Cipriano de Araújo foi sentenciado a uma pena mais branda, de 1 ano e 1 mês, por favorecimento real e ocultação de cadáver. A decisão do júri marca o desfecho de um crime que teve grande repercussão na cidade.
O crime aconteceu na noite de 13 de julho de 2024. Na ocasião, a Polícia Militar foi acionada para verificar uma possível cena de homicídio na Estrada Geral do Itinga, no interior de uma fábrica de lajotas. No local, os policiais encontraram o corpo de Roberto Lara Vega, de 59 anos, com sinais de violência extrema, em um lago próximo à empresa onde ele trabalhava com os dois acusados.

Inicialmente, o proprietário da fábrica desconfiou de movimentações incomuns captadas pelas câmeras de segurança. As imagens mostraram que, por volta das 23h do dia anterior, Roberto se envolveu em uma briga violenta com Alfonzo e Assis. Em seguida, apenas os dois foram vistos deixando o cômodo onde a discussão ocorreu.
No dia seguinte, o dono da fábrica encontrou o portão trancado com um novo cadeado. Como não conseguiu abrir, decidiu arrombar o local. Ao entrar, viu uma grande quantidade de sangue. Logo depois, localizaram o corpo da vítima a cerca de 130 metros da empresa, dentro de um lago.
Durante a investigação, os peritos confirmaram que a causa da morte foi esgorjamento — um corte profundo na região do pescoço. Além disso, encontraram o facão usado no crime enterrado próximo à janela do quarto onde Roberto teria sido morto.
Segundo o Ministério Público, os acusados agrediram Roberto dentro da fábrica, arrastaram-no para o quarto onde moravam e, ali, ele teve o pescoço cortado ainda com vida. Em seguida, jogaram o corpo pela janela e o levaram até o lago. As câmeras não registraram o momento exato do homicídio, mas confirmaram parte do trajeto e da movimentação suspeita.
Durante os interrogatórios, Assis afirmou que apenas ajudou a levar o corpo até o quarto e que Alfonzo teria cometido o homicídio sozinho. Alfonzo, por sua vez, permaneceu em silêncio durante boa parte do processo. Quando se manifestou, alegou que não sabia quem havia matado Roberto.
As defesas tentaram descaracterizar o crime. A defesa de Alfonzo argumentou que ele agiu sob violenta emoção e solicitou a desclassificação para homicídio simples. Já a defesa de Assis afirmou que ele não participou do assassinato, apenas colaborou na ocultação do corpo, e pediu a absolvição.
Durante a sessão no Tribunal do Júri, os jurados rejeitaram todas as teses defensivas. A maioria reconheceu que Alfonzo matou Roberto com crueldade, utilizando recurso que dificultou a defesa da vítima. Também reconheceram sua culpa pela ocultação do cadáver. O júri considerou que ele agiu com dolo e plena consciência, o que fortaleceu a tese do homicídio qualificado em Tijucas.
No caso de Assis, o júri entendeu que sua participação foi de menor importância. Por isso, o condenaram apenas por favorecimento real e ocultação de cadáver, afastando as qualificadoras do homicídio.
Na dosimetria da pena, o juiz reconheceu que Alfonzo não possuía antecedentes criminais e não havia elementos suficientes para agravar a pena com base em sua conduta social. Ainda assim, como foram aplicadas duas qualificadoras, a pena foi fixada em 13 anos de reclusão, em regime fechado.
Assis, por outro lado, recebeu uma pena mais branda: 1 ano de reclusão e 1 mês de detenção, em regime aberto. Como ele permaneceu preso preventivamente por tempo suficiente e não possui antecedentes, o juiz entendeu que poderia cumprir a pena em liberdade. Assim, expediu alvará de soltura. Com isso, o caso de assassinato em fábrica de Tijucas chega ao fim após meses de investigação, interrogatórios e julgamento.
























