Logo Jornal Razão
Publicidade

Adolescente de Florianópolis embarca para o RJ após ser aliciada pela internet e PMSC faz alerta

Especialistas alertam para risco de aliciamento de crianças e adolescentes em redes sociais e jogos on-line

Adolescente de Florianópolis embarca para o RJ após ser aliciada pela internet e PMSC faz alerta
Foto: Reprodução
Publicidade

Uma adolescente de 16 anos, moradora de Florianópolis, foi localizada na noite desta terça-feira após uma mobilização intensa das forças de segurança que se estendeu por três estados. A jovem havia embarcado sozinha em um ônibus com destino ao Rio de Janeiro depois de conhecer um homem pela internet.

Segundo a Polícia Militar de Santa Catarina, o desaparecimento foi comunicado pelos pais, que relataram que a adolescente teria recebido ajuda financeira do homem para custear a viagem. A informação acendeu o alerta imediato e deu início a uma corrida contra o tempo para localizar a menor.

Publicidade

Com base em dados repassados pela família, os policiais identificaram movimentações do cartão de débito da adolescente no Centro de Florianópolis. Uma compra registrada em um estabelecimento na Rua Conselheiro Mafra permitiu confirmar a presença dela na região por meio de imagens de monitoramento.

Na sequência, equipes da PM foram até o Terminal Rodoviário Rita Maria, onde foi confirmado o embarque da adolescente em um ônibus da empresa Itapemirim, com destino ao Rio de Janeiro, no fim da tarde. As informações do veículo foram repassadas às centrais de segurança.

Diante da confirmação da viagem, houve acionamento imediato da Polícia Rodoviária Federal, do programa SOS Desaparecidos e contato entre centrais policiais de diferentes estados. O acompanhamento do ônibus ocorreu em tempo real, apesar de dificuldades iniciais causadas por informações incorretas repassadas pela empresa de transporte.

O desfecho ocorreu por volta das 23h22, quando uma guarnição da Polícia Militar do Paraná abordou o ônibus na cidade de Curitiba. A adolescente foi localizada e estava em segurança.

Publicidade

De acordo com a Polícia Militar, a atuação integrada entre as forças de segurança foi decisiva para o êxito da ocorrência. As circunstâncias do contato da adolescente com o homem conhecido pela internet seguem sendo apuradas pelas autoridades competentes.

Casos recentes atendidos pelas forças de segurança em Santa Catarina reforçam um alerta que especialistas vêm fazendo há anos: o aliciamento de crianças e adolescentes pela internet é silencioso, progressivo e altamente planejado. Na maioria das situações, o contato começa de forma aparentemente inofensiva e evolui para tentativas de controle emocional, isolamento e decisões tomadas às escondidas da família.

Segundo especialistas em proteção digital e segurança da infância, os aliciadores escolhem ambientes comuns do cotidiano juvenil, como redes sociais, jogos on-line, fóruns e aplicativos de mensagens. O primeiro contato costuma ser amigável. Com o tempo, o adulto passa a conversar diariamente, faz elogios, oferece atenção constante e cria a sensação de vínculo exclusivo.

Conforme esses profissionais, a construção da confiança é a chave do crime. O aliciador tenta se tornar a principal referência emocional da vítima, diminuindo a influência da família. Frases como “seus pais não entendem você”, “é melhor não contar para ninguém” ou “eles vão te proibir” são comuns nessa fase.

Publicidade

Em muitos casos, o próximo passo envolve ofertas de dinheiro, presentes ou ajuda financeira, inclusive para custear deslocamentos. Quando a vítima demonstra dúvida ou medo, o adulto pode recorrer à pressão emocional, chantagem, manipulação afetiva ou promessas de uma vida melhor. É nesse ponto que o risco aumenta de forma significativa.

Especialistas apontam que mudanças de comportamento costumam anteceder situações mais graves. Isolamento repentino, uso excessivo e secreto do celular, conversas apagadas, criação de perfis paralelos, irritação ao ser questionado, ansiedade, alterações no sono e queda no rendimento escolar estão entre os sinais mais frequentes.

A orientação para pais e responsáveis é clara. Diálogo constante, sem ameaças ou julgamentos, é fundamental para que crianças e adolescentes se sintam seguros para relatar situações estranhas. Também é recomendado acompanhar o uso da internet, estabelecer regras objetivas e reforçar um ponto essencial: nenhum adulto deve pedir segredo, dinheiro, fotos, encontros ou viagens a menores de idade.

Em situações de suspeita, especialistas recomendam agir com rapidez e cautela. Não confronte o possível aliciador diretamente. Preserve conversas, prints, perfis e horários. Procure orientação especializada e registre ocorrência. Em casos de risco imediato, a polícia deve ser acionada pelo 190. Violações de direitos de crianças e adolescentes também podem ser denunciadas pelo Disque 100.

Entidades como a SaferNet Brasil reforçam que a culpa nunca é da vítima. O aliciamento é um crime cometido por adultos que sabem manipular emoções e explorar fragilidades. Informação, vigilância e resposta rápida seguem sendo as principais ferramentas para prevenir tragédias e proteger crianças e adolescentes.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham