Uma bebê de quase quatro meses, identificada como Maitê Azevedo Soares, moradora de Joinville, no Norte de Santa Catarina, foi diagnosticada com a Síndrome de Moebius, uma condição rara que paralisa os músculos do rosto e compromete movimentos como sorrir e mexer os olhos lateralmente.
De acordo com a família, Maitê não apresenta expressões faciais comuns, mas se comunica por meio de sons, olhares e movimentos corporais. A mãe, Marlete Azevedo dos Santos, explica que a filha não sorri da forma convencional, mas demonstra felicidade de outras maneiras. “Ela só não consegue fazer expressão com a boca, mas consegue dar gargalhada. Quando chora, ela grita, igual outras crianças”, relatou.
A criança foi diagnosticada logo após o nascimento. Ela precisou ser entubada e ficou 30 dias na UTI neonatal devido à dificuldade respiratória, uma das complicações associadas à síndrome. Atualmente, Maitê realiza quatro sessões semanais de fisioterapia para fortalecimento muscular, além de acompanhamento com fonoaudióloga, ortopedista e outros profissionais.
A Síndrome de Moebius tem uma incidência estimada de um a dois casos a cada 50 mil a 100 mil nascimentos, segundo o pediatra e neonatologista Paulo André Ribeiro, que acompanha o caso. “A estimulação precoce previne atrasos no desenvolvimento motor, na coordenação e na fala. Melhora a capacidade de se alimentar, reduz complicações ortopédicas e visuais e favorece a integração social e escolar, além de melhorar a autoestima da criança e da família”, destacou.
Entre as características da síndrome estão a paralisia facial congênita, que impede sorrir, franzir a testa e movimentar os olhos para os lados — eles se movem apenas para cima e para baixo. Também são comuns pé torto congênito, fissura de palato mole, hipotonia (fraqueza muscular) e, em alguns casos, estrabismo e olhos secos. Apesar dessas limitações, o desenvolvimento cognitivo das crianças não costuma ser afetado.
Em casa, a rotina é voltada para estímulos sensoriais e motores. A família utiliza móbiles, brinquedos, livros e músicas para trabalhar a audição e a concentração, além de atividades específicas para fortalecimento do tronco e desenvolvimento da coordenação motora. Maitê também passa por tratamento ortopédico com uso de gessos para correção do pé torto e será acompanhada pelo Centrinho, referência no tratamento de fissura de palato em Joinville, onde deve realizar uma cirurgia corretiva.
A mãe relata que, apesar da síndrome, Maitê demonstra alegria e amor de maneiras singulares. “Ela não movimenta o rostinho como a gente, mas sente tudo. Ama uma bagunça, adora brincar e, no jeitinho dela, também sorri com a alma”, disse.
Fonte: G1















