Um parafuso de titânio de dois centímetros pode ser a diferença entre uma pessoa voltar a mastigar sem dor ou continuar anos na fila. Foi diante de uma caixa cheia desse material, ainda emocionado por ter acabado de sair do centro cirúrgico, que o cirurgião à frente do Projeto Léozinho mostrou o que uma parceria com uma empresa de próteses mudou na rotina dele, em Palhoça.
O médico conta que o parafuso de osteossíntese, usado para fixação óssea, custa em média R$ 180 a R$ 200 em qualquer fornecedor, dependendo do tamanho. A empresa PROMM, de próteses personalizadas, passou a vender o mesmo item por R$ 22. Em cada paciente ele usa em média oito parafusos, o que antes representava um custo aproximado de R$ 1.600 por cirurgia. Com o novo valor, esse gasto cai para cerca de R$ 150.
A conta se repete nas placas. Uma peça que sai por R$ 1.000 a R$ 1.500 no mercado passou a ser fornecida por R$ 160. Todo o material é de titânio, específico para esse tipo de procedimento.
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Isso não tem nada a ver com lucro, isso tem a ver com as pessoas ficarem felizes, mudar histórias.
A fala é de João, representante da PROMM, ao lado do cirurgião durante a entrega do material.
Retorno ao projeto
O acordo vai além do desconto. Segundo o cirurgião, a empresa ainda devolve 5% de tudo o que vende para o próprio projeto, o que barateia ainda mais o custo final. Ele faz questão de deixar claro que o preço reduzido vale para os casos sociais: quem tem condição de pagar segue pagando normalmente. O foco é o atendimento a quem não consegue ser operado na rede pública.
O impacto apareceu na mesma cirurgia. O médico acabou de operar uma paciente idosa que convivia há seis anos com uma fratura na mandíbula, sentindo dor a cada movimento, sem conseguir a cirurgia pelo SUS. Foi justamente num momento de dificuldade, com pouco material disponível, que a parceria chegou.
Fim do improviso
Formado em residência na rede pública, o cirurgião descreve uma rotina de improviso que agora começa a ficar para trás. Antes, era comum cortar parafuso na hora para adaptar ao caso, virar-se com o que tinha à mão.
A gente sempre dá um jeito, eu fiz minha residência no SUS e a gente se vira com o que tem.
Com o novo estoque, ele passa a ter o tamanho exato de que precisa, de 6 milímetros a 8 milímetros, e placas com o número de parafusos necessário para cada procedimento.
O Projeto Léozinho atende pacientes carentes cobrando valores simbólicos, em alguns casos R$ 1, para quem não consegue as cirurgias na rede pública. Para o cirurgião, a mudança tem um único beneficiário final. “Quem ganha mais uma vez é o paciente do projeto, ganha tempo e qualidade”, afirmou. Com material adequado em mãos, ele avalia que os procedimentos ficam mais limpos, mais rápidos e sem a necessidade de adaptações de última hora.
























