A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento contra o câncer de mama, abrindo uma nova possibilidade de tratamento para mulheres e homens que convivem com a forma mais agressiva e avançada da doença. O remédio é oral, tomado em casa, e chega como alternativa para pacientes que já passaram por outras terapias sem o resultado esperado.
O medicamento se chama Inluriyo (tosilato de inlunestranto) e teve o registro publicado nesta segunda-feira (22) pela Anvisa. Segundo a agência, ele é indicado para adultos com câncer de mama localmente avançado, quando o tumor não pode ser retirado por cirurgia, ou já em estágio metastático, ou seja, quando a doença se espalhou para outras partes do corpo.
O tratamento é voltado especificamente para pacientes que já haviam recebido terapia endócrina anteriormente. De acordo com a Anvisa, o remédio é usado como monoterapia, sozinho, sem a necessidade de ser combinado a outros medicamentos, e foi desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly do Brasil.
Aprovação atende perfil específico de tumor
O medicamento é indicado para casos positivos para receptor de estrogênio, negativos para o receptor HER2 e com uma mutação chamada ESR1. Na prática, são características que ajudam os médicos a identificar qual paciente pode se beneficiar da nova opção.
Por trás dos termos técnicos, há uma realidade que pesa sobre milhares de famílias. O câncer de mama é o tumor maligno mais comum entre as mulheres no Brasil. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA), entre 2023 e 2025 foram registrados 73.610 novos casos da doença no país, número que representa 30,1% de todos os cânceres diagnosticados em mulheres.
Impacto emocional
Além do enfrentamento físico, com cirurgias, sessões de quimioterapia e radioterapia, muitas mulheres relatam o impacto emocional da doença, a queda na autoestima diante das mudanças no corpo, a perda dos cabelos e o medo constante do que vem pela frente. Para quem chega ao estágio avançado, cada nova alternativa de tratamento representa, acima de tudo, mais tempo e mais esperança.
A chegada de um medicamento oral também muda a rotina de quem enfrenta a doença. Por ser tomado em casa, sem a necessidade de internação ou aplicação em ambiente hospitalar, esse tipo de tratamento tende a oferecer mais autonomia e qualidade de vida durante o período, ainda que o acompanhamento médico permaneça indispensável.
O registro na Anvisa é o passo que autoriza a comercialização do medicamento no Brasil. A partir de agora, cabe aos órgãos de saúde, planos e à rede pública definirem as etapas de incorporação e disponibilização, processo que determina quando e como o remédio chegará efetivamente às pacientes.






















