A sala cirúrgica do Hospital Azambuja, em Brusque, virou cenário de um marco para a saúde pública catarinense na última sexta-feira, 19 de junho. Foi ali que o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou, pela primeira vez em Santa Catarina, uma cirurgia robótica oncológica. O procedimento, uma lobectomia pulmonar para retirada de parte do pulmão de um paciente com câncer, abre caminho para que pacientes do SUS no estado passem a ter acesso a uma tecnologia até então restrita a quem podia pagar pela rede privada.
O paciente é morador de São João Batista e foi encaminhado pela Central de Regulação da Secretaria de Estado da Saúde (SES/SC). Recebeu alta no domingo, 21 de junho, apenas dois dias depois da operação. O tempo curto de internação é a vitrine da técnica: menos trauma, menos sangramento e recuperação mais rápida do que a cirurgia tradicional pelo mesmo tipo de tumor.

A operação foi coordenada pelo cirurgião torácico Eduardo Ballester, responsável pelo programa de cirurgia robótica do Hospital Azambuja, com o médico Ramon Mendes na equipe. Segundo Ballester, a alta complexidade é justamente o terreno em que a robótica entrega o resultado que muda o desfecho do paciente.
“Muitas vezes são pacientes que têm cirurgias mais difíceis, mais delicadas, e que necessitam de uma tecnologia como a robótica para conseguir a melhor resolução do caso”, afirma o cirurgião.
A entrada da cirurgia robótica no SUS catarinense é resultado de uma articulação entre o Hospital Azambuja, que integra a rede pública estadual, e o Governo do Estado. A unidade conquistou recentemente a habilitação em oncologia, etapa que destravou a possibilidade de oferecer procedimentos de alta complexidade pela rede pública.
O secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, classifica o procedimento como um ponto de virada para a assistência oncológica catarinense. “Com a orientação do governador Jorginho Mello, estamos reorganizando e ampliando a rede hospitalar em Santa Catarina. Após um trabalho intenso, conquistamos a habilitação em oncologia para o Hospital Azambuja, o que nos permite avançar ainda mais no cuidado aos pacientes. Seguimos apoiando a unidade com a incorporação de novas tecnologias, como a cirurgia robótica, que representa um salto importante em qualidade, segurança e resolutividade na assistência oncológica pelo SUS”, afirma Demarchi.

O que muda para o paciente do SUS
Por enquanto, o acesso à cirurgia robótica pelo SUS no Hospital Azambuja é restrito a pacientes com câncer encaminhados pela SES, conforme critérios definidos pela regulação estadual. A prioridade são casos sensíveis e de maior complexidade, em que a precisão milimétrica do robô e a recuperação mais rápida fazem diferença direta no prognóstico.
A iniciativa também tem uma dimensão de teste estrutural. O Estado vai avaliar custos e viabilidade do modelo para decidir se amplia a oferta para mais pacientes oncológicos da rede pública, e em quais perfis de doença a tecnologia entrega o melhor custo-benefício.
Para o diretor administrativo do Hospital Azambuja, Gilberto Bastiani, o marco extrapola a estatística e chega na ponta. “A realização da primeira cirurgia robótica oncológica pelo SUS no estado demonstra a força da parceria com a Secretaria de Estado da Saúde. É um avanço que chega ao paciente, que passa a ter acesso a uma tecnologia de ponta, com mais precisão, segurança e melhores condições de recuperação”, destaca o diretor.
Com a estreia, o Hospital Azambuja reforça a posição de referência em alta complexidade no Vale do Itajaí e amplia sua atuação dentro da rede de assistência oncológica de Santa Catarina, num movimento de reforço dos serviços especializados oferecidos pelo SUS no estado.

O que sabemos até agora
• O quê: primeira cirurgia robótica oncológica realizada pelo SUS em Santa Catarina.
• Onde: Hospital Azambuja, em Brusque.
• Quando: sexta-feira, 19 de junho de 2026.
• Procedimento: lobectomia pulmonar (retirada de parte do pulmão) em paciente com câncer.
• Paciente: morador de São João Batista, encaminhado pela Central de Regulação da SES/SC. Recebeu alta em 21 de junho, dois dias após a cirurgia.
• Equipe: cirurgião torácico Eduardo Ballester (coordenador da cirurgia robótica do Hospital Azambuja) e o médico Ramon Mendes.
• Próximos passos: o Estado vai avaliar custos e viabilidade para ampliar o acesso à cirurgia robótica oncológica via SUS, com prioridade para casos de maior complexidade.






















